Absolvição não remove obstáculos contra senador
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Alexandre Rodrigues<BR>Agência Estado 
Rio - A absolvição no plenário do Senado não é, para o jurista Célio Borja, a o fim dos obstáculos enfrentados nos últimos meses pelo senador Renan Calheiros. Referindo-se às outras denúncias que pesam contra o senador para além do suposto pagamento de despesas pessoais pelo lobista de uma construtora, o jurista disse ontem que ainda resta ao Senado outra chance de se pronunciar sobre seu presidente. Borja avalia que o processo foi difícil para o Senado, especialmente por causa da recusa de Renan de se licenciar do cargo de presidente durante a investigação.
''O resultado não diz nada. O que diz é o processo. Com isenção e responsabilidade, o processo dignifica o juiz e o acusado. Um processo tortuoso não tem esse efeito''.
Borja disse que Renan deveria ter se afastado ''até por uma questão de compostura pessoal'', mas não quis comentar o mérito das acusações contra o senador por não conhecer o processo. ''A presidência é uma função eminentíssima, que dirige os trabalhos da Casa. Parece-me muito pouco adequado, para usar uma palavra civilizada, instaurar um processo contra um presidente que dirigirá a Casa. Isso criou, penso eu, uma anomalia'', afirmou.
Para o jurista, o voto secreto não influenciou o resultado da sessão. Ao contrário, ele acredita que o mecanismo é importante para proteger os parlamentares de pressões , sejam do governo ou dos próprios partidos. ''Cada um votou com sua consciência'', acredita.


