Abrasel alega 'altos custos' e pede arquivamento de projeto do 'drink da emergência'
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terça-feira, 19 de maio de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) solicitou que a Câmara Municipal arquive o projeto popularmente conhecido como "drink da emergência", de autoria do vereador Emanoel Gomes (Republicanos) e que define medidas de segurança para bares, casas de shows, pubs e estabelecimentos do mesmo segmento na proteção de mulheres em situações de risco.
No ofício endereçado ao presidente do Legislativo, Ailton Nantes (PP), a presidente do Conselho de Administração da Abrasel, Fernanda Yumi, justifica que a crise provocada pela Covid-19 no ramo impossibilita a implantação da proposta. Para ela, os efeitos no setor "são devastadores" e "tal medida acarretará enormes custos de operação com a necessidade de contratação de mão de obra específica", no caso seguranças.

A representante expõe que "os estabelecimentos já oferecem seguranças treinados, tanto no interior quanto na portaria. O momento é totalmente inapropriado, onde 80% dos locais estão demitindo e, no mínimo, 50% vão encerrar suas atividades". A FOLHA tentou contato com Yumi por telefone, mas não teve retorno.
O texto elaborado pelo parlamentar cita que "o auxílio à mulher será prestado pelo estabelecimento mediante a oferta de acompanhamento até o carro ou outro meio de transporte, inclusive por aplicativos". O termo "drink da emergência", segundo Emanoel Gomes, consiste em um código em que a mulher poderá solicitar ajuda quando eventualmente for vítima de assédio ou importunação.
"Esse drink não vai estar no cardápio e nem vai ser vendido. É um nome fictício em que a mulher vai acionar o garçom dizendo, em outras palavras, que necessita de apoio. O público feminino está sendo cada vez mais alvo de violência, por isso acredito que precisamos criar mecanismos de proteção", abordou o vereador.
Gomes explicou como será o funcionamento da proposta na prática. "A vítima pode chegar no balcão ou até o banheiro, onde também sugeri a fixação de cartazes informativos, e pedir o tal do drink. Capacitados, os trabalhadores do bar automaticamente saberão o que ela realmente está pedindo. Tenho certeza que essa política pode evitar até tragédias", observou.
O político disse respeitar a indicação da Abrasel, mas que "não vai arquivar o projeto". Ele questionou quais seriam os custos citados pela associação. "Que gasto tem? Que oneração tem colocar um cartaz dentro de um banheiro? Não sugeri nenhuma multa. Não quero queda de braço com ninguém, mas a tramitação seguirá normalmente".
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aguarda ainda a análise de outras entidades para votar o assunto.


