Abramo diz que nepotismo atrasa o Paraná
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sábado, 26 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O jornalista Cláudio Abramo, diretor-executivo da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil, criticou ontem a estrutura política do Paraná. O Estado é considerado por ele como um dos mais atrasados do Brasil. ''A vida política do Paraná é muito permissiva. Tem um atraso em relação às relações políticas do restante do Brasil. Por isso, a permissão de se ter mais de 7 mil cargos em comissão à disposição do governador e 16 parentes contratados. Nem mesmo no Nordeste é assim. Lá, as oligarquias dominam, mas tem muito menos parentes no Poder'', criticou o jornalista que participou ontem em Curitiba do Seminário Nepotismo e Moralidade na Administração Pública.
Promovido pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), autor do projeto de lei que põe fim à prática de nepotismo no Paraná, o seminário reuniu políticos, jornalistas, pesquisadores, militantes partidários e sociedade civil organizada. A redução de cargos em comissão em todas as esferas de poder e o fim do nepotismo (contratação de parentes para cargos públicos sem concurso) foram considerados como as principais armas para reduzir a corrupção no país.
Contrário ao nepotismo, Abramo afirma que acabar com a prática não resolveria o problema da corrupção. Ele aposta na redução brutal de cargos em comissão em proporções semelhantes aos países presidencialistas de Primeiro Mundo. ''As nomeações provocam distorções. Veja o que aconteceu no caso do mensalão e dos Correios. As contratações irregulares e o loteamento de cargos ocorrem em todas as 130 estatais do governo federal. O Estado é loteado. O Executivo tem poder de nomear e isso é usado para barganhar apoios. Para se fazer negócios. Afinal, por que se quer cargos?'', questionou.
O jornalista considera que apenas punir os culpados pela corrupção interna dos Correios ou exigir a cassação de parlamentares não irá resolver o problema. Até porque a corrupção continuará com a venda de emendas em troca de apoio e os cargos em comissão. ''A única medida eficaz é a redução de cargos em comissão. Temos que acabar com estes aventureiros do PT que fazem o que querem dentro do governo federal.''
Abramo acredita que o número de cargos em comissão do governo federal deveria ser reduzido dos atuais 22 mil para 1 mil. Os deputados (estaduais e federais) deveriam, segundo ele, ter direito a apenas um cargo em comissão dentro das assembléias legislativas e do Congresso Nacional. O governo do Paraná que tem cerca de 7 mil cargos em comissão deveria ter apenas, segundo Abramo, 13 cargos (secretariado).
Ele não acredita que a mudança possa vir dos 75% dos brasileiros analfabetos funcionais que são eleitores. A mudança teria que partir da chamada ''elite brasileira''. ''É até brutal ter que falar isso, mas é a verdade. Apenas a elite pode mudar o caminho atual do Brasil. Todos os movimentos organizados são parte de uma elite. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é um movimento de direita basta ver que o que os sem-terra querem é a posse de terras. A massa ideológica é a elite.''
Para o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Dirceu Galdino Cardin, que é também presidente da Comissão de Prerrogativas dos Advogados, o concurso público precisa ser encarado como preceito constitucional para se combater o nepotismo em todas as esferas da administração pública. Ele considera que os governantes que não seguem a prática de contratação de funcionários com concurso público incorrem na prática de improbidade administrativa e deveriam mesmo sem outra lei que regule o nepotismo como crime ser denunciados e condenados.


