Curitiba A nova diretoria regional dos Correios no Paraná tomou posse ontem, após um conturbado processo na escolha de seus dirigentes. Na cerimônia, que contou com a presença do presidente nacional dos Correios Airton Dipp, foram empossados Abraão Miguel Padre Neto como diretor-geral da sede regional da empresa, e Areovaldo Figueiredo como diretor-adjunto.
A escolha do Abrãao Neto indicação do senador Osmar Dias (PDT) para coordenar a sede dos Correios no Paraná foi recebida com protestos por funcionários da estatal. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação Postal, Telegráfica e Similares (Sintcom), chegaram a fazer uma greve de fome de uma semana e montaram um acampamento em frente da sede dos Correios repudiando a indicação do novo diretor-geral.
Segundo o Sintcom, Abraão Neto não poderia ser escolhido para coordenar os Correios no Estado por ter se envolvido em irregularidades no passado. O sindicato acusa Abrãao de ter respondido a dois processos administrativos graves durante seus 28 anos como funcionário da empresa. Em 1990, Abraão Neto teria participado da queima de 150 kg de correspondências do então candidato a deputado federal pelo PFL Airton Cordeiro. Em outro processo, Abraão Neto foi acusado de utilizar a estrutura dos Correios para fins particulares quando foi gerente de transportes da estatal. A reportagem da Folha tentou contato com Abraão Neto, mas foi informada de que o diretor-geral estaria em reunião durante a tarde de ontem.
De acordo com o presidente do Sintcom, Ivan Carlos Pinheiro, a indicação de Abraão Neto para diretor-geral veio de Osmar Dias (PDT) e não pôde ser negociada. ''Os Correios estão vinculados ao ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PDT), que tem a prerrogativa de indicar o nome do diretor-geral. Mas a indicação de Areovaldo Figueiredo para diretor-adjunto é uma vitória para os trabalhadores'', comentou Pinheiro. Figueiredo fundou o Sintcom no Paraná e é filiado ao PT.

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