Abono de servidor contrapõe secretários
Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) vai ter de administrar uma nova briga doméstica entre a secretária da Administração, Maria Elisa Paciornik, e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. A desavença entre os dois é antiga, mas desta vez extrapolou os limites do Palácio Iguaçu, em Curitiba. Convocada pelo Tribunal de Justiça para explicar por que o governo não vai pagar integralmente o abono de férias aos servidores, como manda decisão judicial concedida no ano passado em favor da APP-Sindicato, Maria Elisa repassou a responsabilidade pelo descumprimento ao secretário da Fazenda.
A Administração não desconhece os termos dessa decisão, tanto é verdade que, ao processar a folha de pagamento de dezembro, o fez com a inclusão do terço de férias para aqueles servidores que estariam usufruindo as férias em janeiro de 2000. Porém, por determinação da Fazenda, esta pasta foi compelida a refazer a folha de pagamento excluindo os valores referentes ao terço de férias, argumentou Maria Elisa, em sua defesa, encaminhada ao Tribunal de Justiça, no último dia 18 de janeiro. A secretária está sendo processada pela APP pelo não-pagamento integral do abono. O sindicato solicita, entre outras coisas, a prisão de Maria Elisa.
Quando foi chamada para dar explicações ao Poder Judiciário, a secretária não teve dúvidas em relatar ao TJ o episódio com Gionédis, anexando à sua defesa, inclusive, e-mails que enviou ao secretário alertando do pagamento integral e que o dinheiro repassado (R$ 2,8 milhões) era insuficiente para pagar os servidores de férias em janeiro. Para tal, seriam necessários R$ 3,6 milhões, conforme cálculo apresentado pela secretária.
Maria Elisa expôs ainda em sua defesa que no dia 29 de dezembro foi surpreendida por uma ordem de Gionédis: recolher todos os holerites distribuídos aos servidores e rodar nova folha de pagamento. Esta, com o abono parcelado, como ocorreu em 1999, ano em que a APP obteve a decisão favorável que obriga o Estado a pagar férias integralmente.
Gionédis ficou sabendo do teor da defesa de Maria Elisa nesta semana. Os dois evitam se falar. Trocam farpas nos bastidores e a distância. Quando precisam se comunicar, fazem-no por e-mails e correspondências. Essa não é a primeira vez que os dois se estranham. No Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe) sempre disputaram as atenções do governador. O Plano de Demissão Voluntária (PDV), idealizado por Maria Elisa, foi pivô de discórdia. Gionédis não concordou com a idéia, que acabou sendo deixada de lado a pedido de Lerner. Entre secretários mais chegados, Gionédis não esconde que é totalmente avesso à proposta de Maria Elisa.
A briga dos dois, nos últimos meses, acentuou ainda mais uma cizânia que ronda os secretários do governador, alvo da última reunião de secretariado, semana passada, quando Lerner pediu à equipe menos intriga e mais unidade. Maria Elisa integra a ala de Alcyone Saliba (Educação); Miguel Salomão (Planejamento); Renato Follador Junior (Previdência); e Alex Beltrão (Assuntos Estratégicos). Gionédis fica mais à vontade na outra ponta, com José Cid Campêllo Filho (Governo); Tato Taborda (Casa Civil); Heinz Herwig (Transportes); e Gerson Guelmann (Chefia de Gabinete).Maria Elisa disse no TJ que tinha programado o pagamento da obrigação em dezembro, mas foi compelida por Gionédis a mudar a folha
Arquivo FolhaOBRIGAÇÃOMaria Elisa: terço de férias foi incluído na folha de pagamentoArquivo FolhaRECURSOSGionédis: ordem para recolher holerites e refazer os cálculos





