Curitiba - O ex-policial civil Ricardo Abilhôa, que se apresentou na noite de quarta-feira na sede da Polícia Federal depois de ficar mais de um ano foragido, vai ser ouvido nos processos em que é acusado de extorsão, peculato e lavagem de dinheiro na semana que vem. De acordo com o advogado Cláudio Dalledone Júnior, Ricardo sempre quis se apresentar. Entretanto, temia que fosse vítima de torturas e espancamentos no Sistema Penitenciário. ''Primeiro que ele era policial civil. Os outros presos já teriam problemas com ele e fariam toda a sorte de torturas como fizeram com o Samir Skandar (preso na Operação Tentáculos II) -que foi barbaramente torturado, espancado e agredido por presos. Policial não sobrevive no sistema'', acusou Dalledone.
Ricardo é filho do procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhôa (que foi fundador e coordenador da Promotoria de Investigações Criminais -PIC, órgão interno do Ministério Público que tem como missão investigar os crimes cometidos por policiais civis e militar). Ele responde processos na 7 Vara Criminal de Curitiba e na 2Vara Federal Criminal. Uma das principais acusações contra Ricardo foi a extorsão e a liberação de um dos maiores traficantes do Cartel Juarez, organização criminosa do México envolvida com tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. Lúcio Rueda-Bustos, conhecido como ''Mexicano'', teria pago R$ 3 milhões a Ricardo para não ficar preso na PIC, onde responderia inquérito. O caso teria ocorrido em 2004.
A extorsão teria sido feita por Ricardo e pelo ex-policial civil Carlos Eduardo Carneiro Garcia, conhecido como ''Carlinhos'', já condenado pela Justiça Federal.
Dalledone não quis adiantar qual será a tônica do depoimento de Ricardo. Mas promete novidades para a semana que vem.

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