Curitiba - O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL) Abib Miguel, conhecido como Bibinho, alegou que não tinha condições psicológicas para comparecer na audiência que estava prevista para iniciar anteontem na 9 Vara Criminal de Curitiba. Outras duas audiências aconteceriam ontem e hoje. As três audiências fazem parte de dois processos criminais que Bibinho responde por supostamente ter comandado esquemas de desvio de dinheiro a partir da nomeação na AL de servidores fantasmas e laranjas. Para a 9 Vara Criminal de Curitiba, o advogado de Bibinho, Eurolino Sechinel, pediu a suspensão das audiências devido à ''total incapacidade'' do seu cliente de ''comparecer e responder com clareza os atos da sua vida cotidiana''. O pedido foi aceito pela 9 Vara Criminal de Curitiba.
Em entrevista ontem à Reportagem, o advogado do ex-diretor-geral da AL disse que Bibinho ''vem sofrendo''. ''Ele tem mais de 70 anos, não é nenhum garoto. Passou por uma cirurgia quando estava preso e foi execrado de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Chega um ponto que o sujeito não aguenta mais, o cara definha'', disse Sechinel. Embora tenha enfrentado uma cirurgia de hérnia estrangulada no final do ano passado, Bibinho não teria hoje problemas físicos. O atestado médico apresentado à 9 Vara Criminal de Curitiba alega apenas ausência de condições psicológicas.
O atestado é assinado por um médico psquiatra, mas o advogado de Bibinho se recusou a revelar o nome dele. ''Não quero interferir na relação entre médico e paciente'', disse ele. O atestado é válido por tempo indeterminado.
Durante entrevista à Reportagem, o advogado de Bibinho também criticou a imprensa e o Ministério Público, alegando que as denúncias se concentram apenas em seu cliente: ''Não estou acusando este ou aquele, mas atribuir todos estes fatos só a Abib é injusto, no mínimo falacioso. Será que Abib era tão poderoso assim?''. O advogado se esquivou, contudo, ao ser questionado sobre quem mais poderia ser responsabilizado.
Bibinho foi denunciado nos dois processos criminais por peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Outros dois ex-diretores da AL, José Ary Nassiff e Cláudio Marques da Silva, também respondem por tais crimes nos mesmos processos.

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