Abi mantém silêncio no Gaeco
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
O empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), ficou em silêncio ontem durante depoimento ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore. Apontado como "gestor político" do esquema de corrupção na Receita Estadual pelo delator Luiz Antonio de Souza, Abi está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), desde a última quinta-feira, quando se entregou.
É a segunda vez que Abi é levado ao Gaeco, suspeito de comandar ações criminosas envolvendo recursos públicos. Abi já responde ação penal na 3ª Vara Criminal de Londrina, acusado de fraude na contração da própria oficina pelo governo para manutenção da frota estadual, conforme a operação Voldemort. Na investigação da Receita, Abi e o ex-inspetor geral do órgão no Paraná, Márcio Albuquerque de Lima, que também está preso, seriam os líderes do esquema, segundo a delação Souza, revelada em partes pelo seu advogado, Eduardo Ferreira.
Ontem, além de Abi, outros 33 presos estiveram na sede do Ministério Público (MP) do Paraná. Somente ele e os dois advogados (José Aparecido Camargo e o filho, Fabrício Camargo) que estão detidos em uma sala do Estado Maior, no Corpo de Bombeiros, chegaram sem algemas, conduzidos por agentes do Gaeco. Todos os outros que estão na Penitenciária Estadual de Londrina, unidade 2, estavam algemados e foram transportados em um micro-ônibus da Polícia Militar.
De todos os suspeitos, os 34 presos na segunda fase na operação Publicano levados ontem ao MP, apenas o advogado e o auditor aposentado José Aparecido Camargo abriu mão do direito de permanecer em silêncio. "Eu não posso comentar o mérito do que foi falado, para não prejudicar a investigação", resumiu o delegado Alan Flore. Os advogados de Abi não quiseram falar com a imprensa. Camargo, enquanto deixava o MP, disse apenas que não havia esquema de corrupção na Receita.
Para hoje é esperada uma nova sequência de depoimentos.
O advogado do auditor fiscal Claudinê de Oliveira, Antonio Carlos de Andrade Vianna, reclamou da dificuldade para ter acesso à íntegra do processo e, por isso, orientou o cliente a permanecer em silêncio no depoimento. Ele cobrou "mais agilidade" do juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, para despachar sobre os pedidos da defesa. Outros defensores, embora não tenham gravado entrevista, fizeram coro a Vianna, justificando a posição dos clientes de não dar declarações ao MP.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do magistrado, mas ele não quis se pronunciar.


