Abi era considerado o 'banco de propina', segundo MPF
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Vitor Struck Reportagem local 
Na primeira vez em que seu nome apareceu ligado ao do então governador do Paraná Beto Richa (PSDB), em 2015, Luiz Abi Antoun foi tratado como um "primo distante" pelo tucano diante de acusações de ter chefiado uma fraude a uma licitação no âmbito da Operação Voldemort. Residente em Londrina, ele também é investigado nas operações Publicano, que investiga fraudes na Receita Estadual, e na Rádio Patrulha, sobre irregularidades no programa Patrulha Rural na gestão de Richa.
Mas de acordo com o Ministério Público Federal, Antoun era muito mais próximo ao tucano, já que exerceria a função de "banco de propina do ex-governador" no esquema criminoso envolvendo as concessionárias de pedágio, cuja denúncia foi apresentada à Justiça nesta segunda-feira (28) pela força-tarefa da Lava Jato. Abi, porém, ainda não foi denunciado.
Segundo o MPF, as investigações concluíram que "a propina das concessionárias era distribuída em entregas mensais para diversos agentes públicos e Luiz Abi Antoun era responsável por repassar valores em proveito do ex-governador Beto Richa". Os procuradores estimam que o esquema criminoso, que teria começado em 1997, desviou R$ 8,4 bilhões com a supressão de obras em rodovias e o aumento da tarifas em concessões do Anel de Integração.
Também de acordo com o MPF, a partir de 1999 as concessionárias Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná passaram a se reunir na sede da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) para acordar o pagamento de propinas. Após maio de 2000 até final de 2015, estes pagamentos passaram a contar com a intermediação do diretor-presidente da ABCR, João Chiminazzo Neto.
No esquema dos pedágios, segundo o procurador Diogo Castor de Mattos, Antoun seira o responsável por repassar o dinheiro ao contador Dirceu Pupo Ferreira, que está preso preventivamente desde o final da semana passada, quando o MPF também pediu a prisão preventiva de Beto e Pepe Richa, ex-secretário de Infraestrutura e Logística e irmão do ex-governador. As afirmações foram obtidas por meio de um acordo de delação premiada firmado entre o MPF e o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Nelson Leal Júnior, um dos investigados da Operação Integração, um desdobramento da Lava Jato no Paraná.
DEFESA
Procurado, o advogado Anderson Mariano, defesa de Antoun, afirmou que as declarações de Nelson Leal foram dadas visando uma possível redução de pena.
"São ilações infundadas cujo objetivo era atingir maior premiação em seu acordo de colaboração premiada e consequentemente se esquivar dos crimes cometidos por esse delator", disse o advogado.
Luiz Abi Antou ainda não retornou de viagem ao Líbano, onde, segundo a defesa, realiza tratamento médico. "Ele retornará ao Brasil assim que tiver liberação médica", afirma.
EMBARQUE POLÊMICO
Antoun embarcou para Beirute em 5 de julho do ano passado depois que o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanúncio, determinou a devolução de seu passaporte. Na época, a defesa informou à Justiça que ele retornaria em outubro, data que foi adiada por conta de um diagnóstico de "dispneia, tosse e febre". No Líbano, Antoun realiza um tratamento contra um enfisema pulmonar no Centre Hospitalier du Nord.


