O empresário Luiz Abi Antoun negou envolvimento em supostos pagamentos ilícitos a agentes públicos e lavagem de dinheiro durante o programa do governo estadual Patrulha no Campo, no período de 2012 a 2014. Primo do ex-governador Beto Richa (PSDB), o empresário prestou depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na tarde desta quinta-feira (13), em Londrina. Ele está preso temporariamente na PEL I (Penitenciária Estadual de Londrina) desde terça-feira (11), com a deflagração da Operação Rádio Patrulha, do Gaeco de Curitiba. A investigação do MP (Ministério Público) apura direcionamento de licitação de adequações em estradas e máquinas rurais para beneficiar empresários. O depoimento foi prestado ao coordenador do Gaeco, o promotor Jorge Barreto da Costa.

O empresário Luiz Abi Antoun chega ao Gaeco para prestar depoimento
O empresário Luiz Abi Antoun chega ao Gaeco para prestar depoimento | Foto: Ricardo Chicarelli



Durante busca e apreensão na empresa de Antoun, Alumpar Alumínios, o Gaeco encontrou R$ 370.558,00 em espécie além de U$ 2.700 e 80 euros. Celulares, documentos e computadores da residência do empresário e da Alumpar também foram levados para investigação.

No depoimento, ele afirmou que o dinheiro encontrado pertence à empresa e que não tem conhecimento dessas licitações. Segundo o advogado de Antoun, Antonio Mariano, o montante apreendido pelo Gaeco se trata de dinheiro de fluxo de caixa da empresa. "A empresa tem um faturamento alto, [esse dinheiro] representa 10% do faturamento da empresa", disse. Conforme a defesa de Antoun, a Alumpar é de seus filhos e de um sócio.

O promotor explicou que mesmo que a empresa pertencesse aos filhos, Antoun é o procurador, ou seja "administra juntamente com o sócio essa empresa", expôs. "Isso é objeto de investigação, ainda é cedo para afirmar que a origem desse dinheiro é ilícita", afirmou o coordenador do Gaeco.

Para Barreto, Antoun seria uma "espécie de ponte" entre empresários e agentes públicos para repasses de propina. "Não vou dizer líder [do esquema] porque as investigações apontam para a liderança de Beto Richa", alegou. Mas, embora Antoun conheça todos os empresários investigados na operação, Mariano negou qualquer contato do parente de Richa com os citados. "Não tem nada que ligue o Abi aos empresários", garantiu.

Mariano ainda alegou que o empresário respondeu todas as perguntas do coordenador do Gaeco e esclareceu todas as situações. "Não tem nada contra ele. Nada de gravação, nada em desfavor dele. Não vejo necessidade da prisão, ele nunca se furtou de responder nada", afirmou.

Corrupção ativa e passiva com eventual coautoria e lavagem de dinheiro são as hipóteses da investigação do Gaeco contra Antoun, de acordo com Barreto. O advogado de Abi pediu à Justiça de Curitiba a revogação da prisão temporária do empresário, já que, segundo ele, "não há acusação formal" e colaborou com as investigações. "Ele queria falar, respondeu todos os questionamentos do doutor Jorge Barreto de uma maneira muito calma e ficou tudo esclarecido".

Relação fraternal
O advogado de Abi negou relações políticas do primo com o ex-governador do Paraná. "Com o primo ele tinha uma relação de família. Luiz viu o Beto nascer, ele gosta do Beto igual gosta de qualquer parente. Acho até que o Luiz nunca viu o Beto como governador, nem como político. É uma relação fraternal e não tinha nenhuma relação com o governo. Nunca teve", garantiu Mariano.

Ainda segundo a defesa do empresário, um delator teria inventado "essa história" para prejudicar o ex-governador e acredita em uma perseguição a Antoun pelo seu parentesco com Richa. De acordo com Mariano, o empresário ajudava na campanha do ex-governador ao Senado como "qualquer parente ajudaria outro, de maneira tranquila", e negou a participação em arrecadação para campanha. "Ele ajudava porque é primo, alugava caminhões, esse tipo de coisa".

Jorge Barreto explicou que embora a investigação seja de fatos ocorridos há seis anos, no final do primeiro semestre de 2018 declarações prestadas por uma pessoa envolvida diretamente na ação teria culminado nas prisões e mandados de busca e apreensão.

Antoun já tinha sido denunciado pela Operação Voldemort, do MP, há três anos, por suposta participação em esquema de fraude de uma licitação para manutenção da frota oficial do governo na região.

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