Aberta disputa pela Presidência da Câmara
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sábado, 26 de julho de 2008
Renata Giraldi e Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - Os deputados Michel Temer (PMDB-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI) iniciaram a disputa pela presidência da Câmara a quase sete meses das eleições para a Mesa Diretora da Casa. Ambos correm contra o tempo para garantir a maioria dos votos dos colegas à sucessão do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). O acordo firmado no passado entre PT e PMDB de que os peemedebistas ficariam com a cadeira é questionado pelo grupo de Nogueira.
Nogueira e Temer têm estilos de campanhas bem diferentes. Enquanto o primeiro saiu na frente em busca de votos dos 512 colegas, o peemedebista deu início à corrida sucessória somente há alguns meses.
Para Nogueira, a confiança na possibilidade de vitória está depositada nos votos dissidentes do PSDB e DEM, além dos deputados que integram o chamado ''baixo clero'' (grupo de parlamentares que não ocupam cargos de destaque na Câmara nem nos partidos políticos).
Temer, por sua vez, conta com o apoio fiel que seu partido tem dado ao governo, assim avalia que terá em massa a contrapartida dos governistas à sua candidatura -exceto o PP, partido de Nogueira.
O atual segundo-secretário da Câmara, Nogueira, centralizou suas atenções no ''baixo clero'' e nos parlamentares de primeiro mandato. O pré-candidato do PP orientou sua equipe a montar um cadastro com os dados dos colegas -incluindo os nomes das mulheres e, no caso das deputadas, dos maridos. Assim, nos aniversários, ele não só telefona desejando felicidades e saúde, como também envia presentes, em geral um vinho.
Determinado a conquistar o apoio dos que se consideram preteridos na Câmara, Ciro defende posições favoráveis aos pleitos dos colegas e costuma criticar os acordos firmados entre os grandes partidos, como PMDB e PT.
Ex-presidente da Câmara, Temer tem um estilo mais discreto. Confiante no apoio dos governistas e principalmente do Palácio do Planalto, o peemedebista optou pelas conversas individuais e reservadas.
Nelas, ele destaca a importância de a Câmara desfazer a imagem negativa que a cerca desde a renúncia do ex-presidente Severino Cavalcanti (PP-PE), em 2005.
A seu favor, Temer conta com a experiência de seis mandatos legislativos, um deles na presidência da Câmara, além de sempre ter ocupado cargos de comando na Casa, como a liderança do PMDB e o controle da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Ao contrário de Nogueira, Temer mira nos parlamentares mais antigos e líderes partidários. Interlocutores afirmam que, para o peemedebista, é mais eficiente a abordagem aos colegas por meio daqueles que atuam como uma espécie de ''mentores'' na Casa do que a relação direta com os menos experientes na Câmara.


