ABCR vai pedir indenização ao governo
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domingo, 08 de fevereiro de 2004
Ellen Taborda<br>Equipe da Folh 
Ellen Taborda
Equipe da Folha
Curitiba - Os trabalhadores rurais sem-terra desocuparam ontem as 14 praças de pedágio invadidas desde a última quarta-feira no Paraná. A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) ainda está apurando os prejuízos mas já avisou que vai pedir indenização do governo do Estado. Desde a manhã de ontem, os valores das tarifas voltaram aos anteriores ao reajuste, com exceção das três praças da concessionária Econorte, que vai esperar ser notificada da decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), que suspendeu o aumento.
Segundo a ABCR, a desocupação das praças começou por Witmarsum, na região de Ponta Grossa, no início da madrugada de ontem. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tinham invadido 14 dos 17 postos de cobrança de pedágio do Estado depois do reajuste médio de 15,34%, que tinha sido autorizado pela Justiça Federal na semana passada. Com a suspensão do reajuste pelo TRF, na sexta-feira, os sem-terra decidiram desocupar os postos.
Duas praças da Rodonorte, Imbaú e Tibagi, na região central do Estado, não têm previsão para voltar a funcionar. De acordo com a ABCR, os manifestantes depredaram os postos, impossibilitando o retorno ao trabalho. Computadores, cancelas, filmadoras e vidros teriam sido quebrados por integrantes do MST. O diretor regional da associação, João Chiminazzo Neto, afirmou que as concessionárias vão cobrar os prejuízos que serão levantados durante a semana do governo do Estado. A perda na arrecadação e as depredações são conseqüências da demora do governo em cumprir as ordens de reintegração de posse, disse.
O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, não concorda. O governo não tem responsabilidade alguma. Isso é uma tolice, é mais um dos absurdos da ABCR, afirmou. Segundo Botto, a polícia estava em contato com o MST para desocupar as praças pacificamente. As concessionárias deveriam identificar as pessoas que provocaram danos para responsabilizá-las.
O coordenador estadual do MST, José Damasceno, disse não ter conhecimento de depredações. A orientação do movimento era de ocupação pacífica, se houve algo foi uma ação isolada de algum manifestante. O único incidente registrado pelo MST seria o de um sem-terra que usou um trator para destruir equipamentos na praça de Witmarsum, da Rodonorte. Ele teria sido expulso do local. Os casos isolados serão analisados um a um pela coordenação do movimento.
De acordo com Chiminazzo, as concessionárias vão recorrer ao TRF para voltar a cobrar as tarifas reajustadas. As concessionárias Ecovia, Viapar e Rodonorte voltaram a praticar hoje cedo os valores de antes do reajuste. Somente a Econorte decidiu aguardar a notificação da Justiça, o que deve ocorrer a partir de amanhã.
Em Jataizinho, após a saída dos manifestantes, um carro-pipa, muita água e vassouras auxiliaram a limpeza e manutenção da praça de pedágio, que, segundo a ABCR, é a única do Paraná que continua a cobrar o preço reajustado de R$ 6,20. As cancelas voltariam a funcionar assim que terminasse a limpeza a previsão é que isso acontecesse na tarde de ontem. (Colaborou Karla Matida)


