ABCR-PR defende discussão técnica
O diretor regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo Neto, criticou o envolvimento dos deputados estaduais na discussão sobre o pedágio. Em entrevista por telefone à FOLHA, ele disse que a aprovação dos projetos de lei de Douglas Fabrício (PPS) e Tercílio Turini (PPS), condicionando qualquer mudança nos acordos ao aval da Assembleia Legislativa (AL), seria um risco. "Esse tema é eminentemente técnico e jurídico. Não pode ser político, até porque política não é a nossa especialidade. Sabemos empreender, administrar e gerir com competência", opinou.
Para Chiminazzo, caso as propostas se tornem realidade, o ânimo e a confiança da iniciativa privada deixarão de existir. "O que nós buscamos é eficiência, segurança e boa prestação de serviços aos usuários. E, hoje, tanto a federação quanto os Estados não dispõem de recursos para cuidar das estradas. Então, essa é a nossa visão." O representante da entidade acrescentou que, por conta das eleições municipais, em outubro, muita gente estaria utilizando a questão como "palco".
Quanto à justificativa de que o debate na AL garantiria mais transparência, ele argumentou que o papel de poder concedente é exercido pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e que cabe à agência reguladora, Agepar, fiscalizar o andamento dos contratos, apontando possíveis falhas. "Quando algo não é cumprido, as concessionárias são notificadas e, às vezes, multadas." Chiminazzo também rebateu os números citados pelos parlamentares, dando conta de que somente 40% das intervenções previstas nos contratos do Anel de Integração foram concluídas. "Nós temos um levantamento que comprova que 65% das obras foram feitas e o restante temos mais cinco anos e meio para fazer."
Já no que se refere à renovação dos atuais acordos, que vencem em 2021, ele contou que associações do comércio e da indústria chegaram a pedir ao governador Beto Richa (PSDB) que renovasse os convênios por um período igual, de 24 anos, mediante ampliação de estradas e diminuição de tarifas. "Mas esse assunto ainda não evoluiu. Houve uma liminar do Ministério Público (suspensa há aproximadamente um mês) proibindo tanto o governo federal quanto o estadual de prosseguiram com os estudos. E, com a mudança na Presidência, não temos um quadro claro de como as coisas vão ficar. Ou seja, (os deputados) estão debatendo um acordo que não existe." (M.F.R.)





