ABCR critica administração do Porto de Paranaguá
Curitiba - A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) do Paraná pegou carona na fila de caminhões rumo ao Porto de Paranaguá para defender o pedágio e atacar o governo do Estado. Em nota oficial encaminhada no final da tarde de ontem, a entidade que representa as concessionárias criticou o governo Roberto Requião (PMDB), contra quem trava uma batalha jurídica em relação ao preço das tarifas.
''Os episódios envolvendo o Porto de Paranaguá e a fila de caminhões estão comprovando o equívoco do governo do Estado ao anunciar, recentemente na agência estadual de notícias o pedágio como o vilão das exportações do setor agrícola do Estado'', continua a nota. ''Segundo o diretor regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, bem diferente do que o governo falou, acusando as concessionárias de estarem inviabilizando o agronegócio no Paraná, parece que o chamado risco Paranaguá tem se comprovado muito mais perverso.''
Números citados na nota causaram surpresa nas entidades apontadas como responsáveis pelos mesmos. A ABCR cita, entre alguns dados, percentuais que atribui à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Mas esses cálculos segundo a Faep foram elaborados pela Ocepar, a organização das cooperativas do Estado. Porém, Robson Mafiolleti, da área técnica da Ocepar e um dos responsáveis pelo estudo, diz que os percentuais apurados pela Ocepar em parceria com a Faep são outros, e não os divulgados pela associação das concessionárias.
A ABCR atribui à Faep que o ''valor do pedágio tem reflexo de 1,5% no valor do transporte da safra no estado, sendo portanto, um engano afirmar que o aumento das tarifas estaria causando um aumento de 21% nos custos da safra''. Robson Mafioletti diz que o impacto do pedágio no frete varia de 15% a 24%.
A nota das concessionárias irritou a equipe de Comunicação do Palácio Iguaçu. O coordenador da agência estadual de notícias, André Lopes, revidou. Disse que ''é a ABCR que está equivocada, e que o pedágio é sim o vilão da exportação''. ''O governo do Paraná continua considerando o pedágio abusivo.'' André Lopes citou um exemplo: ''de Foz do Iguaçu a Paranaguá são dez praças de pedágio. Para um caminhão de cinco eixos, são necessários R$ 383 em pedágio, o equivalente a 25 sacas e meia de milho ou nove e meia de soja. E 316 mil caminhões transportam a safra do Paraná''. ''A ABCR continua tentando confundir a opinião pública'', completou André Lopes.
Por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no último dia 11, as tarifas foram reduzidas nas praças do Anel de Integração. Ecovia, Econorte, Rodonorte e Viapar, atingidas pela decisão, reduziram os preços. O STJ suspendeu o reajuste médio de 15,34% que vinha sendo praticado desde o dia 28 de fevereiro. As concessionárias prometem recorrer da decisão. (M.D.)





