Uma idéia na cabeça e um abaixo-assinado na mão - é com essa forma de mobilização que uma organização não-governamental (ONG) de Londrina quer levar até Brasília propostas práticas pelo fim do foro privilegiado. Com mais de 400 assinaturas coletadas desde o início do mês, a iniciativa batizada de Observatório Social Londrinense de Estudos da Violência, Conflito e Segurança Pública (Obsocil) defende que o combate a todas as possibilidades de impunidade é o caminho para conter a violência que assola o País.
O grupo foi criado em abril e tem caráter interdisciplinar no estudo da violência, com participantes das áreas empresarial, de saúde e das ciências sociais. De acordo com a idealizadora do Observatório, a socióloga Francisca Soares, foi nos meses iniciais de discussão que a ONG definiu o combate ao foro privilegiado como foco de resistência à impunidade.
''Nossa idéia é coletar o máximo possível de assinaturas, consultar o Ministério Público e ver se é possível abrir um processo ou encaminhá-lo a Brasília contra o foro, pois ele alimenta, de fato, a impunidade'', defendeu a socióloga, para quem a violência ''tem que ser pensada em diferentes dimensões: da psicologia à história, da literatura e educação ao direito''.
Por ora, além do abaixo-assinado, o trabalho do Obsocil - realizado com ajuda de voluntários - se detém ainda junto a comunidades carentes de Londrina, com cursos de extensão e oficinas. A idéia, segundo a socióloga, partiu do envolvimento dela em projetos sociais de ONGs no Rio de Janeiro, onde concluiu o mestrado. ''Mas a proposta não é trabalhar com assistencialismo.''
Questionada sobre a relação entre a bandeira pelo fim do foro privilegiado, por exemplo, e a violência que permeia a sociedade, como um todo, a estudiosa é taxativa: ''O cidadão vê inúmeros casos de políticos que agiram contra a lei, são investigados pelo Congresso e dados como culpados, e, no fim, são absolvidos em instâncias superiores, ilesos de punição. No imaginário dele, o que impera? Que o crime compensa, pois as pessoas vêem que vale a pena agir assim'', explicou. ''Só quando começarem a punir os crimes de colarinho branco é que se perceberá que a lei vale para todos, igualmente, assim como a democracia. No fim, o que se vê na prática, infelizmente, é que o foro acaba beneficiando quem tem dinheiro - dificilmente vamos atenuar a violência se isso não for combatido'', observou.
Além da ONG coordenada pela socióloga, Londrina viu surgir, semana passada, outro movimento de combate à corrupção e com vertente também contrária ao foro privilegiado: o ''Mãos Limpas pelo Brasil'', conduzido por empresários, profissionais liberais e professores universitários. O grupo pretende se reunir em atos públicos todos os sábados, no Calçadão, além de manter o blog www.brasillimpeza.blogspot.com. Já no sentido de cobrar e apoiar políticas públicas de desenvolvimento mais efetivas, o Clube de Engenharia e Arquitetura (Ceal) lançou, também semana passada, o projeto Câmaras de Políticas Públicas, que agrega 33 entidades da sociedade civil londrinense.

Serviço:
Mais informações sobre o abaixo-assinado e sobre o projeto da ong Obsocil podem ser obtidas no site www.obsocil.com.br, ou pelo telefone (43) 9122-2684.

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