Em Londrina, o ato público comandado pela subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, pelos cálculos da Polícia Militar (PM), entre as quais foi passado um abaixo-assinado que não apenas cobra o afastamento dos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa como também propõe uma série de medidas contidas no futuro ''Projeto Lei da Transparência''. A proposta será formatada em reunião no próximo dia 16, em Londrina, com todas as subseções regionais da Ordem no Paraná. Entre as medidas cobradas estão o fim dos diários avulsos, o veto à contratação de agentes políticos, a redução drástica no quadro de servidores da AL, bem como dos cargos em comissão e, ainda, o não recebimento, por parte dos deputados, de verba para atividades assistenciais.
De acordo com o presidente da OAB-Londrina, Elizandro Pellin, o projeto a ser proposto aos deputados estaduais - a exemplo da mobilização pela aprovação da lei ''Ficha Limpa'', cujo projeto reuniu cerca quase 2 milhões de assinaturas - pode também ser modelo para nova lei em âmbito federal. Além do debate de ontem, com continuação na reunião do dia 16, as ações defendidas no futuro projeto, e que subsidiaram o abaixo-assinado, sugerem ainda a criação de um ''Observatório Social do Paraná'' e apontam a necessidade de ''medidas que garantam a transparência e seriedade nos atos e na administração da AL''.
''Queremos que os atos da Assembleia sejam tornados públicos da maneira mais ampla. O ponto principal é a instituição de concurso público para seus cargos, de modo que haja um controle dos gastos e que todo cidadão participe'', afirmou Pellin, segundo o qual o texto do projeto está em fase de finalização. Se está otimista pela aprovação de lei do gênero ainda este ano? ''Certamente'', aposta.
Entre os participantes do ato em Londrina havia pessoas de todas as faixas etárias e segmentos - de aposentados a estudantes, além de pretensos candidatos no próximo pleito, candidatos derrotados em eleições passadas, vereadores, funcionários públicos, profissionais liberais e lideranças de entidades; algumas, com bordões manjados como o do ''a luta continua, companheiros''. No palco, o aposentado Wady Calixto, arrancou aplausos ao anunciar que, aos 97 anos, fez questão de tirar o título de eleitor este ano ''só para poder votar''.
''É preciso somar forças, estar presente em assembleias e câmaras, para se ter a consciência de que é preciso sanar esse 'jeitinho' que beneficia, no fim, os maus políticos'', finalizou o arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes.

mockup