Brasília A indefinição quanto ao segundo turno da eleição presidencial levou os quatro principais candidatos à Presidência da República a mudar seus planos iniciais de campanha, faltando exatamente 30 dias para a eleição. O petista Luiz Inácio Lula da Silva, favorito segundo as pesquisas, passa a adotar o chamado ''Plano 65'', segundo o qual concentrará sua campanha nas 62 cidades com mais de 200 mil habitantes e nos três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O tucano José Serra decidiu ''invadir'' as bases de Ciro Gomes (PPS), seu concorrente direto pelo segundo lugar, de acordo com pesquisas. Serra deverá suspender as viagens aos Estados em que sua situação é complicada, como o Acre, o Ceará e o Maranhão. No Acre, seus aliados fazem oposição ao governador Jorge Viana (PT), líder disparado nas pesquisas.
No Ceará, a ida de Serra só aumentaria os conflitos com o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB), que apóia Ciro. No Maranhão, os ataques ao tucano são comandados pela ex-governadora Roseana Sarney (PFL), que ainda tem muita força política no Estado.
Os tucanos identificaram em Minas Gerais e no Distrito Federal a possibilidade de ganhar votos de Ciro Gomes, que estaria registrando a maior fuga de potenciais eleitores. ''É preciso analisar bem a visita a cada lugar, verificar as perdas e ganhos. Se tiver prejuízo, é melhor não ir'', afirma o líder do PSDB no Senado, Geraldo Melo.
No comando da campanha de Ciro, a ordem é para que o candidato se dedique mais aos programas de televisão. Ele passa a concentrar as suas viagens pelo Sul e Sudeste do País. Seus marqueteiros identificaram nestas regiões os locais onde Ciro mais perdeu votos recentemente.
Ciro pretende ainda atacar Lula. De acordo com os coordenadores de sua campanha, no estilo das críticas a Serra. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), é necessário levar o eleitor a identificar no PT de Lula o crescimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
De todos os candidatos, Anthony Garotinho (PSB) será o que menos vai alterar sua agenda. Por falta de dinheiro, ele seguirá concentrando seu movimento nos Estados do Sudeste junto aos eleitores evangélicos, que têm garantido a ele, até agora, cerca de 10% dos votos.

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