"A última palavra é sempre do Congresso", diz Barros sobre relação com governo
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sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 
Curitiba - O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) garante não existir dificuldade do governo Jair Bolsonaro (PSL-RJ) em se relacionar com o Congresso Nacional, e sim uma "desorganização". Segundo ele, porém, essa falta de habilidade do Executivo tem sido positiva para os parlamentares, que podem agir "sem amarras", conforme suas convicções. O assunto surgiu após reunião da bancada paranaense com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, na última quarta-feira (11), em Brasília.

Cobrado pela demora na liberação de cargos e verbas relacionadas ao acordo para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o general teria argumentado não haver dinheiro disponível ainda. "Ele foi uma pessoa muito humilde, sincera na exposição das dificuldades que o governo está tendo com o Congresso. Eu falei para ele que para nós está bom assim. Não precisamos de cargos. Ele cuida do governo e nós cuidamos da nossa pauta", comentou Barros. Segundo o pepista, Ramos se comprometeu a melhorar a interlocução.
Durante o encontro, o ex-ministro da Saúde de Michel Temer (MDB-SP) fez uma intervenção que repercutiu bastante. Disse ao secretário que "o presidente não pode demitir deputado, mas o deputado pode demitir o presidente”. Questionado pela FOLHA, Barros respondeu que a fala estava dentro de um contexto. "Temos a nossa liberdade de atuar. A última palavra é sempre do Congresso. Votamos uma lei, o presidente veta e nós derrubamos o veto. Votamos uma emenda constitucional, promulgamos e nem passa pelo Executivo. E podemos demitir o presidente também. Já demitimos dois", prosseguiu.
Ainda de acordo com o deputado do PP, as pessoas no Congresso estavam acostumadas com o presidencialismo de coalizão. "Nos outros governos, os partidos tinham ministros que participavam do Executivo e, obviamente, precisavam estar em sintonia com o governo. Agora, o governo faz o que ele quer e nós fazemos o que queremos. Está indo muito bem e a pauta está indo a favor do Brasil. Estou animado com a produtividade da Câmara", contou.
Para Barros, os deputados estão votando com liberdade, o que é positivo. "Vamos ter um ritmo de solução de problemas crônicos muito rápido. A reforma tributária é uma coisa que há anos está se discutindo e não se vota. Por quê? O governo tem 70% da arrecadação na mão dele e não quer abrir mão. A reforma necessariamente vai implicar em distribuir recursos para estados e municípios. Como o governo é fraco, a reforma vai andar", opinou.


