Bra­sí­lia - Os se­na­do­res apro­va­ram on­tem a to­que de cai­xa pro­je­to com uma mi­nir­re­for­ma elei­to­ral, que pre­ci­sa ter sua vo­ta­ção con­cluí­da pe­la Câ­ma­ra e pu­bli­ca­da no ‘‘Diá­rio ­Oficial’’ até 2 de ou­tu­bro pa­ra va­ler pa­ra as elei­ções de 2010. Uma das no­vi­da­des in­cluí­das pe­los se­na­do­res no tex­to é a rea­li­za­ção de elei­ções di­re­tas pa­ra as va­gas de go­ver­na­do­res e pre­fei­tos que ti­ve­rem ­seus man­da­tos cas­sa­dos por cri­me elei­to­ral. Os se­na­do­res apro­va­ram a pro­pos­ta mes­mo sa­ben­do que ela é in­cons­ti­tu­cio­nal.
  ‘‘Foi uma po­si­ção po­lí­ti­ca que tem por ob­je­ti­vo es­tar em sin­to­nia com a so­cie­da­de. Mas, na mi­nha ava­lia­ção, a de­ci­são é in­cons­ti­tu­cio­nal por­que não tem ana­lo­gia com o que a Cons­ti­tui­ção Fe­de­ral nem as cons­ti­tui­ções es­ta­duais ­dizem’’, afir­mou o se­na­dor Re­na­to Ca­sa­gran­de (PSB-ES). ‘‘Acei­ta­ram um ape­lo de­ma­gó­gi­co, que vai ­cair ali na ­frente’’, ob­ser­vou. ‘‘Es­tão jo­gan­do pa­ra a pla­teia. Vo­ta­mos uma lei or­di­ná­ria so­bre um as­sun­to em que é pre­ci­so uma emen­da à ­Constituição’’, ar­gu­men­tou o se­na­dor ­Tião Via­na (PT-AC).
  A pro­pos­ta é con­si­de­ra­da in­cons­ti­tu­cio­nal por­que a Cons­ti­tui­ção de 1988 pre­vê elei­ção di­re­ta, em ca­so de va­cân­cia do car­go de pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca e de vi­ce-pre­si­den­te, nos ­dois pri­mei­ros ­anos de man­da­to. Ocor­ren­do a va­cân­cia nos ­dois úl­ti­mos ­anos do pe­río­do pre­si­den­cial, a elei­ção pa­ra am­bos os car­gos se­rá fei­ta pe­lo Con­gres­so Na­cio­nal. ‘‘Em te­se, es­sa pro­pos­ta apro­va­da pe­lo Se­na­do con­fron­ta o tex­to ­constitucional’’, dis­se o de­pu­ta­do Flá­vio Di­no (PC do B-MA), que se­rá o re­la­tor da re­for­ma na Câ­ma­ra.
  Com o ­apoio de to­dos os par­ti­dos, os se­na­do­res der­ru­ba­ram ­duas emen­das do se­na­dor Eduar­do Su­plicy (PT-SP) que pre­ten­diam dar ­mais trans­pa­rên­cias às doa­ções pa­ra as cam­pa­nhas elei­to­rais. Pe­la pro­pos­ta do pe­tis­ta, os no­mes dos doa­do­res de cam­pa­nha te­riam de ser co­nhe­ci­dos an­tes das elei­ções. Os par­ti­dos po­lí­ti­cos tam­bém te­riam de re­ve­lar ain­da, du­ran­te a cam­pa­nha, os no­mes dos doa­do­res - ho­je, as le­gen­das só tor­nam pú­bli­cos os no­mes dos fi­nan­cia­do­res das cam­pa­nhas ­seis me­ses de­pois das elei­ções. ‘‘Não é ver­da­de que es­sas pro­pos­tas ­deem ­mais trans­pa­rên­cia ao pro­ces­so. Is­so só vai ser­vir pa­ra ini­bir as ­doações’’, afir­mou o pre­si­den­te na­cio­nal do ­PSDB, se­na­dor Sér­gio Guer­ra (PE).
  Um dos te­mas ­mais po­lê­mi­cos da re­for­ma foi a ma­nu­ten­ção da proi­bi­ção do uso de out­doors du­ran­te as cam­pa­nhas elei­to­rais. Se­na­do­res de to­dos os par­ti­dos de­fen­de­ram a vol­ta do uso de out­doors em cam­pa­nhas, proi­bi­da des­de de 2006. ‘‘O out­door, pa­ra mim, é um for­ma mo­der­na de ­campanha’’, dis­se o lí­der do ­PSDB no Se­na­do, Ar­thur Vir­gí­lio (AM). ‘‘Do jei­to que vai, as cam­pa­nhas es­tão se trans­for­man­do em um ve­ló­rio e a elei­ção es­tá pa­re­cen­do ­mais com a de­fe­sa de uma te­se de ­doutorado’’, dis­se o se­na­dor Wel­ling­ton Sal­ga­do (­PMDB-MG), um dos de­fen­so­res da vol­ta do uso de out­doors.
  O úl­ti­mo pon­to a ser vo­ta­do on­tem era o que tra­ta­va da li­ber­da­de de uso da in­ter­net nas cam­pa­nhas elei­to­rais. O re­la­tor da re­for­ma, Eduar­do Aze­re­do (­PSDB-MG), fez emen­da pon­do fim a qual­quer res­tri­ção no uso da web, in­cluin­do os si­tes de no­tí­cia. Ape­nas de­ba­tes fei­tos na in­ter­net te­rão de se­guir as re­gras im­pos­tas às re­des de rá­dio e te­le­vi­são, co­mo ter a par­ti­ci­pa­ção de ­dois ter­ços dos can­di­da­tos nas elei­ções ma­jo­ri­tá­rias.

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