A timidez paranaense (2)
Semana passada repassei alguns dos clichês sobre os paranaenses, incluindo o já transformado em axioma, da timidez. Sobre o assunto recebi uma carta do ex-ministro Reinhold Stephanes, da Previdência e hoje secretário de Administração do governo Requião que transcrevo parcialmente sobre as suas intervenções no caso específico do Hospital de Clínicas:
''Na primeira ocasião em que dirigi a Previdência Social, por exemplo, no final dos anos 70, o HC tinha mais da metade dos leitos desativada e sérios problemas de falta de equipamentos. Orientei, então, a Previdência a firmar acordo com o diretor do hospital, Alberto Veiga e com o reitor da Universidade Federal, Ocyron Cunha. Financiamos a reativação dos leitos e criamos condições para o funcionamento integral da instituição que, a partir daí, pôde crescer.
DÍVIDAS - ''Em outra oportunidade, já nos anos 90, como ministro de Fernando Henrique Cardoso, creio que tive o privilégio de garantir para o HC do Paraná o que foi provavelmente a maior solução financeira já obtida para a instituição por meio de um paranaense no governo federal. O reitor Carlos Antunes Filho testemunhou o caso. Dessa vez, viabilizamos R$ 22 milhões com os Ministérios da Fazenda e da Educação para o pagamento das dívidas previdenciária e tributária que quase paralisaram o hospital. Outros tantos milhares de estudantes beneficiados com o ensino superior público vem utilizando instalações construídas em área que pertencia à Previdência Social, que concedi para a Universidade Federal expandir o campus, às margens da Br-116. Além disso, não foi pouca inovação interiorizar o atendimento previdenciário e à saúde dos segurados do antigo INPS com a criação de agências em cidades como Paranavaí, Umuarama, Assis Chateaubriand, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Laranjeiras do Sul e Ivaiporã, entre outras.''
ACANHAMENTO - De 1954, na sequência do suicídio de Vargas, o Paraná voltou a ter posições ministeriais. O primeiro, na Saúde, foi Aramis Athayde, cunhado de Bento Munhoz da Rocha e que iria, num projeto presidencial, para a pasta da Agricultura. Nessa lembro que Bento encarou o poderoso ministro José Maria Whitaker, da Fazenda, um paulista, e o derrubou na reforma cambial. Ainda na Saúde tivemos Borges da Silveira e Alceni Guerra e na Educação, pela ordem, Flávio Suplicy de Lacerda, Ney Braga e Euro Brandão. Pois bem com todos esses homens, prestigiadíssimos, não avançamos um milímetro na questão do pagamento do pessoal do Hospital de Clínicas por via ministerial, uma das causas de tormentas como essa mais recente da greve dos servidores. É um dos exemplos de hospital escola em que tal encargo cabe à sua Fundação.
GESTÃO - Outro ex-ministro, Alceni Guerra, me telefona para dizer que enquanto esteve no ministério o modelo de gestão do HC permitia acúmulo de superávits e que a ele teria cabido dar apoio em investimentos de capital como aquisição de equipamentos para o maior complexo hospitalar. Essa observação é importante porque uma questão de estilo administrativo (e haja confusão com o consulado das eleições diretas nas universidades) pode tornar o quadro ainda mais crítico.





