A Teoria do Funil criada por Tuma
O deputado Robson Tuma lança mão de uma teoria de investigação policial para justificar o rastreamento do espólio das quadrilhas de Alemão e Dezinho. ‘‘Nós temos que buscar a boca de entrada do funil e não a boca de saída’’, argumenta. Para ele (ver ilustração), existem três momentos bem definidos na organização do crime. O primeiro, na boca de entrada, ocorre quando diferentes grupos e quadrilhas são atraídos para uma atividade por causa da facilidade ou dos altos ganhos. O segundo, no gargalo do afunilamento, é seletivo. ‘‘É aí que se organizam as quadrilhas. Os mais fortes ficam com o comando e se estruturam’’, diz. O momento seguinte, na boca de saída do funil, ocorre quando as quadrilhas organizadas estabelecem todas as outras relações com seus distribuidores, consumidores, comandados e com o resto da sociedade. Aparecem os Jorge Meres, os pequenos e médios distribuidores da droga, as autoridades e os policiais eorruptos e assim por diante. ‘‘Sempre que tentamos investigar da boca de saída para frente, caímos numa teia que nunca chega ao fim. Uma linha de investigação leva à outra que leva à outra, e assim ad infinitum’’, comenta. Por isso, ele acredita que a investigação deve ser realizada na direção inversa, ‘‘no gargalo do funil, onde as coisa se estruturaram’’. E isso, de acordo com Tuma, acontece exatamente no final dos anos 80 e início dos 90, auge do império dos ‘‘reis da fronteira’’.

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