'A sensação é a de que a impunidade impera no Brasil'
Além dos trabalhos de combate ao tráfico e à lavagem de dinheiro, a Polícia Federal (PF) tem uma missão extra este ano: coibir a prática de crimes eleitorais, dentre os quais a compra de votos é dos mais comuns, mas, também, dos mais difíceis de se prevenir.
Conforme o novo delegado-chefe da PF em Londrina, Nilson Antunes, para o pleito 2010 os planos de ação em apoio às outras polícias e à Justiça Eleitoral já estão prontos desde o início do ano.
''Cada delegacia fez seu planejamento para as eleições, com ações coordenadas por Brasília, no primeiro escalão, e, no nosso caso, também na Superintendência da PF no Paraná'', explicou. Segundo Antunes, ''todo o suporte'' será dado ''para que as eleições ocorram da melhor forma possível''.
Em crimes como o aliciamento de eleitores, no entanto, o delegado ressalva a importância de o cidadão denunciar esse tipo de prática ao Ministério Público Eleitoral (MPE), que encaminha a situação, se for o caso, aos policiais federais. ''Só existe a compra de votos se alguém vender. Dependemos muito das denúncias, pois sabemos que se trata de um crime muito disseminado - é uma ação mais repressiva nossa e das polícias Civil e Militar''. Sobre a expectativa para o que vem por aí, dada a proporção do atual processo eleitoral, Antunes resumiu: ''Será uma eleição bastante animada...''
Além das operações envolvendo o Ciap e a falsificação de dinheiro, o delegado também foi quem coordenou o inquérito instaurado em março, na capital, para investigar os chamados Diários Secretos da Assembleia Legislativa do Paraná. A reportagem quis saber dele - que é paulista de Itapetininga, mas tem sotaque do Sul - qual a sensação diante do trabalho sobre a casa política. ''É a sensação de que a impunidade realmente impera no Brasil'', desabafa. Se vê perspectivas de isso mudar? ''Só o dia em que o cidadão tiver de fato consciência da importância de seu voto e de dar uma boa educação a seu filho, a ponto de ele não trocar o próprio voto por uma compra de sacolão, uma promessa de emprego, e não trabalhar com pessoas que ofereçam isso a ele. Eis algo que se obtém só com educação e formação de pessoas, formação de caráter: não adianta se querer formar apenas bons profissionais.'' (J.G.)





