Edson MazzettoSem estrelismo‘‘A reputação pode ser construída de várias formas, porém, sua perseverança depende do conteúdo.’’Em todo o País, procuradores da República - os promotores de Justiça federais - estão atuando cada vez com mais incisividade, na investigação e denúncia de crimes cuja responsabilidade é desta esfera judicial. Episódios recentes, principalmente relacionados às comissões parlamentares de inquérito do Senado, sobre bancos e o Judiciário, ressaltam o papel dos procuradores, mas também lhes rendem críticas pela ânsia em ‘‘mostrar serviço’’. Situação semelhante é a de Celso Antônio Três, 36 anos, desde março de 1997 procurador da República em Cascavel. Apenas nos dois primeiros anos de atuação, ele esteve envolvido em 5,7 mil intervenções, entre pequenas e as de grande repercussão, principalmente ações contra o crime do ‘‘colarinho branco’’, lavagem de dinheiro, feita por doleiros e corrupção no meio policial, e o golpe ‘‘3x1’’, a troca de cédulas falsas de dinheiro por verdadeiras, entregues por ‘‘gananciosos’’. No dia 13 de abril, supostamente um envolvido em denúncia formalizada por Três disparou um tiro de calibre 12 contra seu automóvel, em ‘‘atentado intimidatório’’. Três é hoje o homem público mais noticiado pela Imprensa local, e pela estadual representada na cidade. Por isso, também, alvos de suas denúncias o acusam de ‘‘estrelismo’’, e de exacerbar na divulgação dos casos. Para ele, trata-se de dar ‘‘transparência’’ à atuação da Procuradoria, ‘‘desenvolvida em nome da sociedade, a qual representamos’’. Três acha que também o Judiciário deveria ‘‘se abrir’’ mais para a sociedade, relatando-lhe suas ações ‘‘em linguagem compreensível’’, para não ser uma ‘‘caixa-preta, silente’’, e por isso suscetível a ataques - como os que têm sido feitos a propósito da CPI do Judiciário. Gaúcho de nascimento, ele resume seu entendimento: ‘‘Cachorro come ovelha, mas não come cabrito, porque cabrito berra’’.
Folha Estamos entrando na era da ‘‘república dos promotores’’?
Três Espero que estejamos entrando na era da ‘‘república da Justiça’’, eis que a ação do Ministério Público (MP) ganha efetividade apenas quando acolhida pelo Poder Judiciário. De toda sorte, é inegável que a probidade e arrojo dos procuradores têm oxigenado a esperança de justiça, fato que gratifica os integrantes da instituição.
Folha Afinal, os procuradores da República - ou os promotores estaduais - podem tudo?

mockup