A recessão pegou

Estávamos acostumados com indicadores fortes do IBGE, mas ficou visível que não dispúnhamos de uma vacina contra a recessão que fechou seu ciclo em 2016, com suas sequelas ainda nos perturbando. Voltamos a perder espaço em relação ao Rio Grande do Sul, apesar da crise fiscal que o assola, com uma queda no PIB de 2,6% naquele ano.

O fluxo ascensional de nossa economia, desde 2002, teve crescimento de 38,2%, à média de 2,3% ao ano, o que sustentava o marketing de euforia de Beto Richa. Que a economia não acompanhe o seu descenso eleitoral é o que apelamos em nossas orações.

Gente do governo paranaense costumava referir-se ao estouro das contas dos gaúchos e dos cariocas como algo distante, em anos-luz, diante da nossa economia. O fato é que os dois, apesar de quebrados, permanecem à nossa frente em renda interna e desenvolvimento

O aparato estatal é uma espécie de invólucro que nem sempre expressa o conjunto da economia. Rio, Minas, Rio Grande do Sul, estão piores do que o Paraná, relativamente às suas contas, mas estão à frente como polos econômicos. O Paraná fez um ajuste que encontrou na descapitalização da Paranaprevidência em nada menos de R$ 2 bilhões ao ano, um dos mais engenhosos tapa-buracos, e não tem recursos para fazer concursos numa situação amarrada que será um dos dramas do futuro governo como se depreenderá no ritual da transição.

Festa incompleta

A festa de domingo no estádio do Café com seus quase 30 mil torcedores seria mais vibrante e completa não tivesse, na sexta-feira, o Londrina perdido, pelo terceiro ano seguido, a chance de ir à série A derrotado pelo CRB. Mas o povo não abandonou o Tubarão e quase 25 mil torcedores lá compareceram. Dá para imaginar o grau de euforia que teríamos mesmo com a chuvarada dominical no empate entre Paraná e Palmeiras.

Curitiba exporta

A República de Curitiba, como foi chamada ironicamente por Lula, vai ter presença forte no governo Bolsonaro. É que Sergio Moro deve levar alguns dos integrantes da força tarefa da Lava Jato para o Ministério da Justiça. O Paraná recuperou nos anos cincoenta sua presença nos altos escalões, primeiro com Aramis Atahyde e Munhoz da Rocha, nas pastas da Saúde e Agricultura, e antes do regime militar com Amauri Silva no ministério do Trabalho. O boom ministerial é na ditadura, todavia jamais tivemos alguém com expressão tão forte quanto à de Sergio Moro com o papel que já exerceu e pode ter um traço missionário em função do avanço que representou na luta contra a impunidade e a corrupção.

Motivação

O corte da sequência do PIB paranaense em 2016 teve efeito salutar na equipe de transição dos governos Cida Borghetti-Ratinho Júnior ao deixar mais clara a situação efetiva não apenas da nossa economia, que voltou a ser superada pela do Rio Grande do Sul, como da situação fiscal que nada tem de paradisíaca, pelo menos conforme a versão que lhe dava o governo Beto Richa. É verdade que o Paraná desfruta uma situação fiscal melhor do que a da maioria dos estados, mas a situação nada tem de confortável. O governo não está podendo sequer pagar licenças prêmio ou facilitar aposentadorias pela falta de meios de recomposição, de certa forma compensadas por uma gratificação de permanência. Ratinho tem entre os seus maiores compromissos o de fazer uma lipoaspiração no gigantismo secretarial do governo, que aliás está expresso num teaser eleiroral: a promessa de fazer mais com menos.

O ideal é que impere o jogo da verdade no intercâmbio de dados que se dará após a celebração de segunda-feira (19).

O PIB maior

Em PIB per capita o Distrito Federal, Brasília, é hegemônico com o registro de R$ 79.099. São Paulo, que lidera disparadamente a economia brasileira, aparece como segundo com R$ 45.542. Seu PIB global é de R$ 2,038 trilhões. O Rio Grande do Sul passou de novo o Paraná, com R$ 408,645 bi contra R$ 401,662 bi. O Paraná tem o sétimo PIB per capita (R$35.726) e os gaúchos o sexto, com R$ 36.206.

Pânico

Um relatório da Agência Nacional de Águas com dados de 2017 indica que há risco de ruptura em 45 barragens. No ano anterior os casos preocupantes se limitavam a 25. Num momento em que viadutos como o da Marginal Pinheiros cederam e a especulação de que dezenas dessas obras de arte se mostram vulneráveis há uma grave reflexão sobre os feitos da nossa engenharia. A tragédia alertadora quanto à questão das barragens se deu com a do Fundão em Mariana, Minas Gerais, de responsabilidade da Samarco com efeitos ambientais devastadores sobre o rio Doce e morte de 19 pessoas.

Para Catanduvas
O Marcelo Piloto, considerado o maior traficante do Brasil, que estava no Paraguai, vai ficar na prisão de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná.

Folclore
Emílio de Menezes tenta acomodar-se no teatro e uma tiete começa a importuná-lo e ameaça sentar-se ao seu lado. O poeta olha pra assistência e percebe lugares vagos e saca mais uma de suas tiradas geniais: "atriz atroz atrás há três".

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