A pedidos - O fato não consumado
O secretário Airton Pisseti foi à Assembléia ontem (29/6) para depor no caso da tentativa de implantar aqui o esquema do mensalão brasiliense.
Pisseti confirmou o que dissera à imprensa: foi abordado pelo deputado Edson Praczyck, do PL, que lhe propôs eterno apoio ao governo em troca de uma quantia mensal.
Houve testemunhas desse encontro, mas ontem valeu o espírito de corpo. Eram deputados e todos sabem que deputado não entrega deputado. Só o deputado Roberto Jefferson fez isso como última saída para se salvar de imbróglio maior.
Mas voltemos à terrinha. Esse episódio, agravado pela denúncia pessoal do governador Requião, terá desdobramentos que ficaram, é clara, para depois do recanto parlamentar. Ninguém é de ferro. Em agosto o assumo será entregue ao plenário pelo deputado relator Antonio Anibelli.
De qualquer maneira, a iniciativa de Pisseti foi exemptar. É muito improvável que volte a receber qualquer tipo de proposta indecorosa. Agora, todos sabem que ele não guarda segredos do tipo. Põe a boca no trombone. Com o aval de governador Roberto Requião.
Afinal, o plano do deputado Praczyck não se consumou. Ficou na tentativa. Aliás, tinha sido alertado de que não conseguiria nada nesses termos e que era muito arriscado tentar esse tipo de negociação.
Pela atitude dos demais deputados, Praczyck não terá problemas. Todos os seus colegas da Assembléia, das diversas bandas e confissões, deixaram claro que preferem abafar esse caso que só traria desgaste para o Legislativo.
Sobrou para Pisseti um entrevero à parte com a bancada de oposição ao governo Requião. Esta ficou ofendidíssima quando Pisseti declarou que não grava conversas, prática que atribui ao governo anterior. Mas isto também ficou para ser esquecido nas férias.
Publicado no dia 30 de junho na Gazeta do Povo - coluna de FÁBIO CAMPANA





