O dinheiro gasto pelo município de Londrina de 2006 até este ano com a merenda escolar está na mira de uma investigação conduzida por técnicos da Controladoria Geral da União (CGU). Auditores da regional do órgão federal em Curitiba estiveram na cidade durante duas semanas, este mês, e coletaram farta documentação referente ao contrato - o mais caro da administração direta, cerca de R$ 10 milhões ao ano - firmado com SP Alimentação, de São Paulo. Diferentemente de outros procedimentos da CGU, nos quais os municípios a passarem por inspeção de uso de verbas federais são sorteados, no caso de Londrina a iniciativa atendeu solicitação do Ministério Público Estadual, cuja Promotoria de Defesa do Patrimônio Público investiga o mesmo contrato desde 2007. A informação é da assessoria da CGU em Brasília, que, ainda que não tenha entrado em detalhes sobre o teor das investigações, confirmou à FOLHA que a fiscalização vai levantar informações também sobre os gastos do Município com recursos federais da Saúde.
No caso da merenda, é utilizada, por exemplo, verba do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Já pela saúde, recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde, financiam na cidade ações do Programa Saúde da Família (PSF) e convênios com hospitais.
A Promotoria de Patrimônio Público não se manifestou sobre a investigação requisitada à CGU - só confirmou que o procedimento de Londrina se mantém em andamento. Uma fonte ligada à Educação e que teve contato direto com dois auditores da Controladoria, contudo, disse à reportagem, sob a condição de anonimato, que desde notas fiscais da Prefeitura e da SP foram requisitadas, bem como cópias de reportagens que a mídia local veiculou, no início do ano, sobre as condições de armazenamento dos alimentos da SP em um barracão na Zona Oeste. Uma escola que já teria apresentado problemas na qualidade da merenda, inclusive, teria sido visitada pelos técnicos, mas a unidade estava fechada - em função da Gripe A, as atividades na rede municipal, suspensas desde 31 de julho, só retornam na próxima segunda-feira.
O secretário municipal de Gestão Pública, Kentaro Takahara, ressaltou o ''caráter reservado'' das investigações, ao não exemplificar que tipo de documentação foi requerida, e resumiu: ''Todas as informações que nos solicitaram foram repassadas, e acreditamos que os auditores saíram bem impressionados com a nossa estrutura. Vieram mesmo foi mais para inspecionar como o recurso do PNAE está sendo aplicado'', resumiu. Indagado sobre o contrato que termina em outubro com a SP e sobre a previsão de edital para o modelo misto, já anunciado pela atual administração, Takahara não estabeleceu datas. ''Estamos na fase final do edital.''
A assessoria da CGU também não falou em prazos para auditoria do material coletado; no entanto, informou que, acabada a análise, ela será remetida ao órgão que a pediu, ou seja, o MP.

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