A pedido da Lava Jato, Justiça Federal bloqueia bens de Beto Richa
Ex-governador é acusado de participar de crimes de fraude à licitação, corrupção passiva e operações de lavagem de dinheiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Ex-governador é acusado de participar de crimes de fraude à licitação, corrupção passiva e operações de lavagem de dinheiro
Pedro Moraes - Grupo Folha
O juiz federal substituto Paulo Sérgio Ribeiro acolheu pedido da força-tarefa Lava Jato do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) para bloquear cerca de R$ 80 milhões em bens dos réus da Operação Piloto – entre eles o ex-governador Beto Richa (PSDB), num valor de aproximadamente R$ 20 milhões. A acusação de 5 de junho deste ano, denunciou além do ex-governador, os ex-secretários Ezequias Moreira e Pepe Richa, o primo do ex-governador Luiz Abi Antoun, o contador Dirceu Pupo Moreira, Rafael Gluck e José Maria Ribas Mueller pela prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, fraude licitatória e lavagem de dinheiro. “As medidas patrimoniais constritivas visam acautelar não apenas a reparação mínima do dano, mas também assegurar valores equivalentes ao produto ou proveito do crime e garantir o pagamento das custas processuais e penas de multa”, afirma a decisão do juiz.
As acusações apontadas pelo MPF teriam ocorrido em 2014 e são relacionadas à licitação na Parceria Público Privada para exploração e duplicação da PR-323, que liga as cidades de Maringá e Francisco Alves, no noroeste do Paraná. A denúncia é considerada a terceira em que o ex-chefe do executivo do Paraná está envolvido no âmbito da Lava Jato. A operação Piloto foi deflagrada em setembro de 2018 a partir do conteúdo de depoimentos de colaboradores ligados ao grupo Odebrecht, que revelaram esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina visando o favorecimento do consórcio liderado pela construtora na licitação de concessão da PR-323. No Setor de Operações Estruturadas da empresa, Richa era tratado pelo codinome “Piloto”. Procurada, a defesa do ex-governador disse que irá se manifestar somente nos autos do processo, "diante da insistência repetitiva do Ministério Público Federal, relativamente ao tema de indisponibilidade de bens”. Já a defesa de Luiz Abi Antoun afirmou que ele “provará sua inocência na Justiça”.
Segundo o apurado pelo MPF, os agentes públicos teriam recebido cerca de R$ 7,5 milhões para não ameaçar a licitação e descumprir formalidades legais. “Não se tratava de uma licitação qualquer: era, na realidade, a maior licitação da história da pasta. O contrato representava recebimentos totais na órbita de R$ 7,7 bilhões”, narra o MPF. O ex-assessor de Richa, Deonilson Roldo, teria recebido pelo menos R$ 4 milhões da Odebrecht agindo em nome do ex-governador, seu irmão e Ezequias. Uma das provas apresentadas pelo MPF para fundamentar a denúncia é a gravação de uma conversa em que Roldo pede ao executivo de outra empresa que não disputasse a licitação, porque o governo já teria “compromisso” com o consórcio posteriormente vencedor.
PATRIMÔNIO
Em 2018, quando concorreu ao Senado, Beto Richa informou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 4.839.118,14, contra R$ 5.547.332,88 declarados em 2014, quando foi reeleito no Palácio Iguaçu. O montante diminuiu em R$ 708 mil, representando uma queda 12%. Em 2014, o tucano tinha mais de R$ 3 milhões investidos em uma carteira diversificada de investimentos em ações em empresas como Petrobras, CNS e Vale do Rio Doce e imóveis. No ano passado, o maior volume de bens (88%) vem de um empréstimo de R$ 3,25 milhões, segundo informação do TSE. Já investimentos em ações caíram para R$ 621 mil e aplicação em renda fixa está em R$ 824 mil e não havia imóveis. (Colaborou Mariana Franco Ramos)