'A ordem é cortar tudo'
A regra na maioria dos municípios paranaenses neste fim de ano é cortar despesas. ''Estou com deficit de R$ 530 mil e já fiz cortes em horas extras, reduzi o terceiro turno na saúde e tenho evitado as terceirizações'', relatou o prefeito de Barracão (Sudoeste), Joarez Heinrichs (DEM). Ele, que também é diretor financeiro da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), fará parte do grupo de prefeitos que vai a Brasília cobrar uma solução do governo federal para a queda no repasse do FPM.
Seguindo a linha da redução de custos, o prefeito de Sabáudia (Norte), Almir Batista (PTB), afirmou que a contenção já está sendo feita no município, ''que perdeu de R$ 500 a R$ 600 mil com a isenção do IPI''. Ele lembrou que o prejuízo é semelhante nas cidades com menos de 10 mil habitantes. ''A ordem é cortar tudo, parar carros, máquinas, reduzir compra de remédios'', disse à FOLHA, logo após deixar uma reunião sobre contingenciamento.
''O problema é que estou com muitas obras em andamento e preciso quitar os convênios.'' De acordo com Batista, ''o FPM perdeu cerca de R$ 1,5 bilhão no rateio nacional apenas com a isenção de IPI, definida pela União''.
Em Pitangueiras (Norte), o prefeito Cristóvon Videira (PSD) demonstra preocupação com o futuro dos pequenos municípios. ''Do jeito que as contas estão, as pequenas cidades vão ficar insustentáveis'', sentenciou. Videira disse que os cortes já estão sendo planejados.
''Devemos cortar as gratificações, trabalhamos com apenas seis comissionados, vamos cortar horas extras e, quanto a remédios, vamos comprar apenas os mais baratos e que são usados no dia a dia.'' Conforme Videira, a prefeitura também deverá ter funcionamento em meio período. Ele argumenta que ao mesmo tempo em que o governo reduz o repasse, aumenta a exigência. ''Recentemente foi definido o piso nacional para o magistério e aí complicou bastante.''
Na avaliação do prefeito, o cerco sempre aperta contra os pequenos municípios. ''A segunda fonte de receita é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) onde o peso maior para o repasse, de 70%, é para a indústria e comércio, enquanto que a agropecuária, comum nas cidades menores, tem peso só de 8%.'' (E.F.)





