A mesma arenga
Tanto o episódio do juiz plantonista do TRF4 (aquele Rogério Favretto), que queria soltar Lula, como o mais recente de Marco Aurélio, ministro do STF, mostram que nunca a atividade judicante no Brasil esteve tão impregnada pela política. Quem ganha com isso é o PT, primeiro com o oba oba da liberação e depois, saneado o processo, com a persistência da ideia de que o ex-presidente é perseguido, refrão que adotarão para energizar a esquerda, afinal esmagada eleitoralmente.
Bastou a sequência de atos, que culminaram com a suspensão ordenada por Toffoli, sob a alegada jurisprudência do colegiado, para que o lulopetismo se ouriçasse com o que via como uma derrota da Lava Jato. Se há algo que não havia no decisório era razoabilidade, fator incontroverso das boas decisões ou das bem fundamentadas.
Ainda sob o efeito do nocaute, o PT voltou a respirar e tem agora uma pauta a se agarrar: a da suposta perseguição judicial, posto que até agora só um processo dos muitos tenha sido julgado. O messianismo é algo corrente na política nacional e ao lado, como seu corolário, o vitimalismo exige , antes de tudo, dos seus praticantes a entrega fanática, doentia, e que pode nos transbordamentos chegar ao Estado Islâmico. Isso, especialmente, não pode, de forma alguma, ser subestimado, daí a necessidade de que outros processos, já elencados, venham a ser julgados e com ampla exposição do material probatório como se deu com o do triplex do Guarujá e o será certamente com o do sítio de Atibaia, o dos caças, o do quadrilhão e tantos outros.

Coincidência
O conselheiro Ivan Bonilha, que impediu a continuidade da licitação dos ônibus de Londrina, tem farta experiência nessa campo, pois foi sob sua orientação que se deu o último certame de Curitiba, aquele tempo na condição de procurador do município, mais tarde nomeado para o Tribunal de Contas. Acolheu as alegações da TCGL que já havia administrativamente discordado da regulação feita pelo poder concedente. Persistem problemas com o sindicato de motoristas e cobradores, especialmente no referente à estabilidade provisória (36 meses) dos cobradores e o reajuste de 4%, mas isso é uma briga de esquina ante o fato relevante do veto à licitação prejudicado ainda mais pelo recesso da Corte que só se suspende na primeira quinzena de janeiro.

No tapetão
O senador Roberto Requião quer mais oito anos de mandato, apesar de fragorosamente derrotado nas eleições, sob a alegação de que o eleito, em segundo lugar, Flavio Arns, teve suas contas desaprovadas quando secretário de Educação e que por isso pode ser cassado. Requião, já na sua primeira eleição, aquela do estelionato Ferreirinha, teve seu mandcato cassado, por unanimidade , pelo Tribunal Regional Eleitoral que cometeu um erro ao não incluir no processo, como litisconsorte necessário, o vice-governador Mário Pereira. Quando Sepúlveda Pertence, ministro do STF, examinou a pendência ela tinha perdido objeto, tantas foram as delongas do processo.

Agências abonam
Alguns setores, inclusive do governo Ratinho, colocam em dúvida a alegada situação de folga fiscal do governo de Cida Borghetti, mas agora há um testemunho técnico da maior valia sobre o tema: o relato das agências de classificação de risco, a Fitch e a Moody´s pondo em destaque a redução do endividamento líquido do Paraná em 69,4% , caindo para 27,80% em 2018. Um dos fatores destacados foi o investimento entre abril e dezembro de R$ 8,7 bilhões, o dobro do ano passado. O Paraná teria sido a unidade federativa com maior taxa de crescimento real dos investimentos entre 2014 e 2017 com 16,1%. Além do mais foi classificado como o quarto Estado mais competitivo do Brasil.

Portos
A Procuradora da República, Raquel Dodge, denunciou o presidente Michel Temer e mais cinco no inquérito dos portos por corrupção e lavagem de dinheiro. Como há ainda aquelas duas denúncias, do seu antecessor no posto, que a Câmara Federal bloqueou, a carga não será pequena e se voltarem a falar em "Fora, Temer" isso não significará que os manifestantes o desejam fora da cadeia.
Por sinal que o Brasil até hoje só condenou um ex-presidente, o Lula, quando a Coréia do Sul acaba de emplacar o quarto. Estão na fila Temer e a impinchada Dilma Rousseff. Mais um pouquinho e empata.

Folclore
Na linha de argumentação pela cassação do mandato de Flávio Arns o senador Roberto Requião faz questão de dizer que não contesta a sua derrota, mas que a obrigação cívica o leva a pleitear a interdição do já diplomado "pai da pátria" pela prática de improbidade na gestão como secretário de Educação por ter suas contas desaprovadas. O apego ao mandato e suas mordomias, internacionais inclusive, não influenciam Requião, mas sim o culto à moralidade pública.

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