Arquivo/Folha de LondrinaDiscrição oriental e timidez, segundo amigos e políticos, caracterizavam OguidoSeriedade, dedicação, competência, ética, eficiência. É dessa forma que políticos e amigos ouvidos ontem pela Folha de Londrina definem o trabalho do deputado federal Homero Oguido. Da ‘alma’ oriental, ele herdou a discrição e a timidez. ‘‘Ele não era de discurso, mas fazia um grande trabalho nas comissões técnicas e estudava profundamente os projetos’’, comenta o presidente do diretório estadual do PMDB, Mário Pereira. Ele lembra que Oguido é o segundo deputado da bancada do PMDB do Paraná morto nos últimos cinco meses - o primeiro foi Elias Abrahão, vítima de acidente automobilístico.
‘‘Oguido acompanhava de perto os interesses das prefeituras que representava. Apesar de ter peso importante na colônia, ele não fazia o estilo de deputado de gueto’’, lembra o ex-deputado Márcio Almeida.
‘‘O Homero sempre foi de trabalhar nos bastidores’’, diz o deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB). O deputado estadual José Tavares (PMDB) recorda que levou Oguido para o partido na década de 80. ‘‘Depois disso nós fizemos duas dobradinhas. Eu como deputado federal e ele como estadual. Em 94 foi o contrário. Ele vai fazer uma falta muito grande’’, lamenta. O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) disse que a morte de Oguido representa uma ‘‘perda irreparável para a representação política da região Norte’’. ‘‘Onde quer que ele estivesse metido não se ouvia a palavra corrupção. Era uma das maiores reservas morais do PMDB’’, emendou o vereador Célio Guergoletto (PMDB).
Assessor de Oguido desde 1989, João Naime Neto, define o deputado como aquele que ‘‘agia, mas não falava’’. Ele diz que o deputado representava 36 municípios da região e não esperava os prefeitos irem até ele. ‘‘Ele viajava sempre pela região e sempre lutou pela melhoria da qualidade de vida’’. João Naime disse que 100 projetos das áreas social, de infra-estrutura e de esportes seriam enviados mês que vem para os respectivos ministérios, em Brasília, em benefício da região. ‘‘Espero que tenham sequência.’’
O vereador Roberto Kanashiro (PSDB) disse que Oguido conseguiu conquistar muito respeito da colônia japonesa. ‘‘Ele e o deputado Antônio Ueno atendiam a setores diferentes e agora fica um vazio. O Paraná volta a ter apenas um representante da colônia.’’ O ex-prefeito Wilson Moreira também lamentou a perda e disse que caberá às novas gerações o desafio de recuperar a representatividade dele. O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL), disse que a morte de Oguido aumenta a falta de representatividade do Norte do Paraná. ‘‘Perdemos um de nossos maiores líderes.’’ O prefeito do recém-emancipado município de Prado Ferreira, Aristides de Caires, estava inconsolável. ‘‘Ele era uma espécie de pai do município. Não sei o que vai ser de nós.’’ (P.Z.)

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