A marca 'L'ondrinense do presidente
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sexta-feira, 11 de abril de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quando Luiz Inácio Lula da Silva colocou a faixa presidencial, em 1º de janeiro deste ano, uma marca o ajudou a chegar lá. O ''L'' feito com o polegar e o indicador da mão direita foi o símbolo mudo da campanha repetido por todo o país. Com ele, o ''presidente do povo'' foi aclamado presidente da República. Mas o que pouca gente sabe é que o símbolo foi criado pela mente criativa - e obstinada - do jornalista londrinense Mário Milani. Agora ele pretende eternizar em livro - com o título provisório de ''A Marca do Presidente'' - a idéia que nasceu há mais de 15 anos.
A propaganda a custo zero, como gosta de frisar Milani, surgiu em 1989 para ser usada durante a campanha presidencial daquele ano. O primeiro teste com o símbolo foi feito entre filhos de pais petistas, durante um encontro de filiados em São Paulo. ''Nesse laboratório, vi que (a marca) pegava mesmo porque as crianças reproduziram o gesto automaticamente'', contou ele à Folha. Usado durante a campanha de 89, o ''L'' ainda voltaria a ser visto durante as campanhas de 94, 98 e, finalmente, em 2002, quando artistas e o próprio Lula se encarregaram de popularizar o gesto, que hoje é repetido por onde quer que passe a caravana presidencial.
Com a vitória do candidato de esquerda veio também a idéia de escrever um livro, contando todos os momentos da ''marca do presidente''. Pensada em dois volumes, Milani explica que a primeira parte da obra trará um histórico de toda a pesquisa que realizou até chegar ao resultado final. ''Eu vou relatar todo o desenvolvimento da marca, inclusive com entrevistas de militantes e de gente que colaborou com o símbolo.'' Neste volume também será incluída a parte teórica do trabalho, com o relato da pesquisa que o jornalista realizou se valendo da análise semiótica para explicar o conceito da linguagem não verbal utilizada. Haverá ainda o parecer do presidente sobre o símbolo.
No segundo volume, Milani pretende explorar a leitura de que o ''L'' pode ser transformado em um símbolo para toda a América Latina, que tem uma história baseada na luta e no sonho de liberdade. E Lula seria o ''líder dessa nova etapa de desenvolvimento'' por sua capacidade de agregar o continente. Ele confessa que quando viu o ''L'' sendo feito por milhões de pessoas entrou em estado de transe e chorou de alegria. ''Eu nunca imaginei que até Fidel Castro (presidente de Cuba), de quem sou fã e já estudei toda sua história, fosse reproduzi-lo'', comemora.


