A mando da Justiça, Richa é transferido para a prisão da Lava Jato
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2019
Agência Estado 
O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi transferido nessa quinta-feira (31) para o Complexo Médico Penal de Pinhais, a prisão da Lava Jato, nos arredores de Curitiba. Preso na última sexta (25) na Operação Integração, desdobramento da Lava Jato, o tucano estava em um quartel da Polícia Militar de Curitiba. Por ordem do juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal, ele foi removido para Pinhais.
O Complexo Médico Penal ficou afamado como a prisão da Lava Jato desde março de 2014, quando a maior operação contra a corrupção no país foi desencadeada. Por ordem do então juiz Sérgio Moro, doleiros, empreiteiros e políticos sob investigação e condenados foram levados para Pinhais.
Por lá já passaram o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci, o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.
Ainda permanecem no Complexo e vão fazer companhia a Beto Richa o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB/RJ), o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o operador João Henriques, suposto lobista do MDB.
A transferência do ex-governador foi decretada a pedido do Ministério Público Federal. O juiz informou que a inclusão de Beto Richa "na unidade militar representa uma irregularidade, já que o local não é apropriado para assegurar a efetividade da cautelar".
A ida de Richa para a sede da Cavalaria Montada da PM foi articulada pela defesa do ex-governador e criticada pela força-tarefa da Lava Jato. Os promotores entenderam que o local não cumpre as prerrogativas previstas na medida cautelar, já que lá o tucano tinha direitos não concedentes a internos em complexos penais, como por exemplo, a possibilidade de fazer telefonemas.
A defesa de Beto Richa chegou a enviar nota à imprensa, antes da transferência dele ser determinada pela Justiça, justificando a ida do ex-governador para a unidade da PM. "O ex-governador é detentor de curso superior, portanto tem direito a recolhimento especial e em unidade apropriada, em razão da dignidade do cargo ocupado, devendo se aplicar, por simetria, a Lei n. 7474/86, que dispõe sobre medidas de segurança aos agentes públicos", disse. "Observe-se que na condição de ex-governador do Estado, exerceu cargo superior hierárquico da estrutura administrativa no sistema prisional, e por isso, sua presença pode ensejar retaliações ou até mesmo a prática contra ele, de atos de vingança. De outra parte, a existência de organizações criminosas nos presídios impedem que o Poder Público tenha pleno domínio da segurança, em relação à pessoa do ex-Governador, havendo, inclusive, risco de rebeliões", prosseguiu.
Propina
Beto Richa foi preso por suspeita de influenciar no depoimento de testemunha sobre esquema de lavagem de propina supostamente recebida de concessionárias de pedágios de rodovias paranaenses.
O juiz Paulo Sérgio também mandou prender o "homem de confiança" do tucano, o contador Dirceu Pupo Ferreira.
O ex-governador teria recebido propina de R$ 2,7 milhões de concessionárias, montante pago em espécie. Os pagamentos foram identificados após a deflagração da Operação Integração. Os investigadores rastrearam o destino do dinheiro, usado para compra de imóveis.
Beto Richa foi preso uma primeira vez em setembro de 2018, mas acabou solto por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo. O ex-governador também é investigado na Operação Rádio Patrulha, que investiga desvios em contratos para obras em rodovias.
Defesa
O tucano nega com veemência qualquer ato ilícito. Desde que se tornou alvo da Polícia Federal, do Ministério Público do Estado e da Lava Jato, ele tem reiterado que jamais se envolvei em irregularidades.


