A luta de Lula para tentar manter Palloci
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sábado, 25 de março de 2006
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que não quer afastá-lo do governo, mas admitiu estar cada vez mais preocupado com os rumos da crise política. No cenário traçado por Lula, a oposição só pensa em destruí-lo e não medirá esforços, durante a campanha, para impedir sua reeleição. Palocci é o último escudo que lhe resta após a queda de petistas estrelados, como o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. ''Querem acabar com o meu governo'', constatou o presidente na conversa com o titular da Fazenda, na semana passada. No diagnóstico de Lula, o alvo de partidos como o PSDB e o PFL não é Palocci. É ele próprio. ''O problema não é com você nem com o PT. É comigo'', resumiu.
Convencido de que a crise se aproximará cada vez mais do gabinete presidencial se Palocci cair, Lula tenta a duras penas mantê-lo na equipe até por uma questão de sobrevivência política. Apesar do imenso desgaste provocado com a quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa, o caseiro que serviu de testemunha contra o homem forte do governo, o presidente avalia ser possível salvar o ministro, dependendo do desfecho das investigações.
Lula está cada vez mais irritado, porém, com as trapalhadas cometidas depois que foi aberta a sindicância interna na Caixa Econômica Federal, banco onde Nildo tem conta-poupança. Na quinta e na sexta-feira, distribuiu broncas pessoalmente e por telefone. Foi duro nas cobranças. Disse que era preciso entregar rapidamente a cabeça do culpado para saciar as feras da oposição.
Bombardeio No Planalto não há dúvida de que, se a queda de Palocci for irreversível, tucanos e pefelistas partirão para o ataque frontal à família do presidente, a começar por seu filho, Fábio Luiz, que tem negócios com a Telemar maior operadora de telefonia fixa do País. A CPI dos Bingos também ameaça bombardear o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, em acareação com o economista Paulo de Tarso Venceslau. Okamotto é amigo de Lula há quase três décadas. Venceslau foi expulso do PT e o presidente o considera um traidor. No jogo de escaramuças, vira e mexe a oposição ressuscita, ainda, o nome de Roberto Teixeira, compadre de Lula.
''Eu entendo que o presidente e seu governo estão cada vez mais encalacrados'', disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). ''Palocci vai passar para a história como um dos melhores ministros da Fazenda, mas, lamentavelmente, é um médico que encarna Dr. Jekyll e Mr. Hyde'', emendou o senador, irônico, numa referência ao clássico de terror que mostra a dualidade da espécie humana e o combate entre personalidades opostas.
Apesar de toda a rede de proteção, a situação de Palocci continua delicada. O ministro nega ter estado na mansão do Lago Sul, local onde, segundo o caseiro, lobistas da república de Ribeirão Preto faziam negócios e promoviam festas com garotas de programa. Mas, se surgirem novas denúncias bombásticas, ele será forçado a abandonar o time até o dia 31 para concorrer a deputado federal.
A data não é aleatória: trata-se do prazo para que os candidatos à eleição de outubro deixem os cargos. Oficialmente, no entanto, Palocci não admite essa possibilidade. ''Sou político, mas não estou interessado em candidatura neste ano'', afirmou o ministro, durante almoço no Conselho de Administração da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).


