A ‘LAVANDERIA’ DA FRONTEIRA
COMO FUNCIONA
1 - Donos de dinheiro obtido de forma ilícita (tráfico de drogas ou armas, contrabando, sequestros) depositam altas quantias em contas abertas por laranjas em bancos de Foz do Iguaçu
2 - O laranja, geralmente uma pessoa pobre, transfere o dinheiro, em reais, para a conta de uma casa de câmbio em Foz do Iguaçu ou Ciudad del Este, no Paraguai
3 - Já convertido em dólar, o dinheiro é enviado, por meio de uma conta CC-5 (de remessa de divisas ao exterior) a um banco brasileiro (ou associados a instituições brasileiras) no Paraguai
4 - Lavado, o dinheiro é remetido a paraísos fiscais ou volta ao Brasil como investimento estrangeiro, usufruindo de benefícios como câmbio subsidiado e isenção de impostos
AS INVESTIGAÇÕES
1 - Atendendo a representação da Procuradoria-Geral da República, em 1977 a Polícia Federal começa a investigar as remessas de dinheiro ao exterior pela fronteira Brasil–Paraguai
2 - No início de 98, PF envia a Foz do Iguaçu 3 delegados e 3 peritos para atuar nas investigações. Com a ajuda da Receita Federal, eles abrem 213 inquéritos, que apuram o envolvimento de 2 mil pessoas, 40 casas de câmbio e pelo menos 4 bancos na fronteira
3 - As investigações concluem que, em 3 anos, lavagem atingiu US$ 7,6 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). O valor é equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 98, que foi de R$ 899 bilhões
4 - Anteontem à noite, Procuradoria da República em Foz do Iguaçu denuncia à Justiça Federal os primeiros 18 acusados de participar da lavagem; é o primeiro dos 213 inquéritos a chegar à Justiça

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