A história do PR acontecia
numa varanda



Grande parte das decisões políticas do Paraná certamente teve como cenário uma mesa-redonda, na varanda de um edifício avermelhado, localizado na Avenida Visconde de Guarapuava, bairro Batel, em Curitiba. Neste local, durante mais de três décadas, Aníbal Khury recebeu políticos, aliados, secretários, sempre a partir das 7h da manhã. Nas reuniões, o ritual era sempre o mesmo. A figura redonda do mais expressivo político do Estado – que tinha 1,60 metro e mais de 100 quilos – sentada à mesa da sacada de seu apartamento. Em 1996, a jornalista Ruth Bolognese fez excepcional descrição da famosa varanda e seu famoso café da manh㠖 publicada na Folha.
O telefone ficava sempre à mão. Sobre a mesa o queijo branco, a garrafa térmica, frutas, comprimidos, vitaminas e o barbeador. Tudo meio misturado. Os amigos vinham chegando para o café da manhã. Ele cumpria rigorosamente o mesmo ritual toda a manhã. Acordava por volta das 4 horas e interfonava para o porteiro. Os jornais subiam ao quinto andar e a leitura seguia até a hora do café. Os amigos começavam a chegar.
Foi nesta varanda que o ex-presidente da Assembléia Legislativa recebeu um telefonema internacional, em 96. Do outro lado da linha, o governador Jaime Lerner anunciando a conclusão das negociações do governo com os executivos da Renault. ‘‘Você é o primeiro paranaense a saber desta tão grande novidade’’, disse o governador.
‘‘Esta história de café da manhã fui eu mesmo que inventei e há mais de 30 anos’’, disse certa vez Aníbal. O ex-governador Paulo Pimentel, amigo antigo, dizia que como árabe, o ex-presidente da Assembléia gostava de receber bem as pessoas. ‘‘Ele gosta de servir bem’’, disse Pimentel.
Depois de receber os amigos para o café, o presidente chegava invariavelmente às 10 horas ao seu gabinete, na Assembléia. (P.L.)

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