À espera do Missão, MBL tem pré-candidato ao governo do Paraná
O Tribunal Superior Eleitoral vai julgar o registro da legenda, último passo para formalização do partido que tem a onça como símbolo
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segunda-feira, 03 de novembro de 2025
O Tribunal Superior Eleitoral vai julgar o registro da legenda, último passo para formalização do partido que tem a onça como símbolo

Possível estreante nas eleições de 2026, o partido Missão, criado pelo MBL (Movimento Brasil Livre), deve ter seu registro julgado nesta terça-feira (4) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), após o adiamento da semana passada por ausência do relator, ministro André Mendonça. Esse é o último passo para a formalização da nova legenda de direita, que terá o número 14 e a onça como símbolo.
No Paraná, o pré-candidato da futura sigla ao governo do Estado é o advogado Luiz França. Natural de Cianorte (Noroeste), ele ingressou no MBL em 2016 e colaborou com projetos de novas lideranças políticas no estado. Mais recentemente, trabalhou na campanha de João Bettega (União Brasil), eleito vereador em Curitiba, e chegou a atuar como assessor parlamentar, mas decidiu deixar o gabinete por considerar que o mandato havia se afastado das diretrizes que defendia.
Em entrevista à FOLHA, França diz que sua pré-candidatura não busca encontrar uma “média eleitoral”, mas está calcada nos princípios do Missão, compilados em uma publicação chamada "O Livro Amarelo". Ele é crítico às lideranças que, no seu ponto de vista, comprometerem seus princípios éticos e ideológicos em troca de relevância política ou ganhos materiais.
Ao comentar o cenário político da última década, França afirma que parte da nova direita “surgiu em um momento em que havia essa dicotomia e a esquerda era muito vinculada a casos de corrupção”. Segundo ele, “foi um caminho fácil para crescer e se consolidar, mas muitos escolheram um rumo errado: preferiram o like à agenda”.
“Meu papel é congregar toda a sociedade que não se vê representada pelo bolsonarismo e já não vê o Novo como uma alternativa fidedigna”, afirma o pré-candidato. “Não vamos vender o milagre de mudar a política, mas de influenciar e fazer com que ela ande para o caminho correto.”
De olho no governo do Estado, o advogado fala em uma “quebra radical” com a política tradicional e em “guerra” contra o crime organizado e as “oligarquias que estão no Estado e não fazem nada”.
Sobre a economia regional, o pré-candidato afirma que o Paraná precisa “acabar com a lógica do pedágio” e rever o modelo de incentivos. França defende reduzir burocracias e apoiar empreendedores.
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“Eu quero que novos Cids [fazendo referência a Celso Garcia Cid] surjam, que a frente pioneira ressurja no espírito dessas pessoas, que mais pessoas possam enriquecer. Daqui a 30 anos eu não quero dizer que trouxe 3 mil empregos de uma fábrica estrangeira para Londrina, mas que construí três, quatro novos bilionários de Londrina que, através do trabalho e da inovação, da integração das cadeias produtivas, conseguiram gerar riqueza e fazer muitas outras pessoas mais ricas”, diz.
Para 2026, França vê um cenário aberto e se coloca como alternativa ao bolsonarismo. “Não é que nós rejeitamos o bolsonarismo, mas entendemos que o bolsonarismo morreu”, afirma o advogado, que também faz críticas ao governador Ratinho Junior (PSD), que, segundo ele, “não é de direita”.
Ele defende que o Missão representa uma “política realmente diferente”, que passou pelo “filtro de Fausto” — metáfora usada em referência à obra de Goethe para descrever escolhas políticas feitas em nome da coerência. O candidato à Presidência deverá ser Renan Santos, fundador do MBL futuro presidente do Missão.
“Nós vamos nos diferenciar do Bolsonaro não no discurso, mas no processo. As pessoas poderão acompanhar o desenvolvimento dessa candidatura para que a gente chegue lá e mostre efetivamente que o partido tem capacidade de apresentar melhores alternativas”, conclui.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





