A dura batalha por dinheiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de julho de 2002
Vera Rosa e Silvio Bressan<BR>Agência Estado 
Uma caixa vermelha com estrela em alto relevo chegará daqui a duas semanas a duas mil empresas do País. Dentro dela, nenhuma bomba, mas, sim, uma singela fita de vídeo. O filme? Entrevistas e comerciais partidários protagonizados pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, o senador José Alencar (PL-MG).
O brinde foi a forma original que o publicitário Duda Mendonça bolou para pedir contribuições à campanha petista. É acompanhado de uma carta assinada por Lula e Alencar.
Despertar a curiosidade de doadores em potencial com estratégias assim é uma das fórmulas para driblar a crise financeira que pegou todas as campanhas pelo contrapé. A menos de três meses da eleição, a falta de dinheiro tira o sono dos candidatos às Assembléias, incomoda os pretendentes ao Senado e aos governos e até ameaça o presidenciável Anthony Garotinho (PSB).
Não queremos constranger ninguém, diz Delúbio Soares de Castro, o coordenador do comitê financeiro de Lula. Mas quem não colaborar deve apertar um botão dentro da caixa porque aí vai explodir, brinca ele, sem conter a gargalhada.
Para selecionar os felizardos que receberão o embrulho, Delúbio afirma que tem pedido dicas de companheiros. Só não aceitaremos contribuição do narcotráfico, de quem explora trabalho escravo e de firmas não legalizadas, disse Delúbio, que tem a missão de arrecadar R$ 36 milhões.
Garotinho é mais radical e assegura que não quer dinheiro de banqueiro. Nem lhe foi oferecido. O candidato pode desistir do páreo por causa da penúria financeira. Os rumores sobre sua renúncia aumentaram na quinta-feira, quando o ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PSB) abandonou a disputa ao governo de São Paulo, por falta de recursos.
Diante deste quadro dramático, o comando do PSB faz o marketing da pobreza, apresentando a escassez de dinheiro como prova de honestidade. Garotinho foi governador e sua campanha não tem verba, afirma o deputado Alexandre Cardoso (RJ), coordenador financeiro do PSB. Isso mostra que ele não faz caixa.
Na seara tucana, o deputado Márcio Fortes (RJ) evita comentar boatos de que a corrida de José Serra (PSDB) ao Planalto estaria perdendo patrocinadores. As pessoas que vão contribuir estão muito além das pesquisas, desconversa.
Apesar da choradeira, Lula, Ciro e Serra continuam cruzando o céu a bordo de jatinhos e têm seus rostos estampados nos outdoors das principais cidades. Todos dizem que, por enquanto, pagam as despesas com receitas do fundo partidário e dos orçamentos das legendas.
Arquivo Folha
A menos de três meses da eleição, a falta de recursos tira o sono dos candidatos


