Uma caixa vermelha com estrela em alto relevo chegará daqui a duas semanas a duas mil empresas do País. Dentro dela, nenhuma bomba, mas, sim, uma singela fita de vídeo. O filme? Entrevistas e comerciais partidários protagonizados pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, o senador José Alencar (PL-MG).
  O brinde foi a forma original que o publicitário Duda Mendonça bolou para pedir contribuições à campanha petista. É acompanhado de uma carta assinada por Lula e Alencar.
  Despertar a curiosidade de doadores em potencial com estratégias assim é uma das fórmulas para driblar a crise financeira que pegou todas as campanhas pelo contrapé. A menos de três meses da eleição, a falta de dinheiro tira o sono dos candidatos às Assembléias, incomoda os pretendentes ao Senado e aos governos e até ameaça o presidenciável Anthony Garotinho (PSB).
  ‘‘Não queremos constranger ninguém’’, diz Delúbio Soares de Castro, o coordenador do comitê financeiro de Lula. ‘‘Mas quem não colaborar deve apertar um botão dentro da caixa porque aí vai explodir’’, brinca ele, sem conter a gargalhada.
  Para selecionar os ‘‘felizardos’’ que receberão o embrulho, Delúbio afirma que tem pedido dicas de companheiros. ‘‘Só não aceitaremos contribuição do narcotráfico, de quem explora trabalho escravo e de firmas não legalizadas’’, disse Delúbio, que tem a missão de arrecadar R$ 36 milhões.
  Garotinho é mais radical e assegura que não quer dinheiro de banqueiro. Nem lhe foi oferecido. O candidato pode desistir do páreo por causa da penúria financeira. Os rumores sobre sua renúncia aumentaram na quinta-feira, quando o ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PSB) abandonou a disputa ao governo de São Paulo, por falta de recursos.
  Diante deste quadro dramático, o comando do PSB faz o ‘‘marketing da pobreza’’, apresentando a escassez de dinheiro como prova de honestidade. ‘‘Garotinho foi governador e sua campanha não tem verba’’, afirma o deputado Alexandre Cardoso (RJ), coordenador financeiro do PSB. ‘‘Isso mostra que ele não faz caixa.’’
  Na seara tucana, o deputado Márcio Fortes (RJ) evita comentar boatos de que a corrida de José Serra (PSDB) ao Planalto estaria perdendo patrocinadores. ‘‘As pessoas que vão contribuir estão muito além das pesquisas’’, desconversa.
  Apesar da choradeira, Lula, Ciro e Serra continuam cruzando o céu a bordo de jatinhos e têm seus rostos estampados nos outdoors das principais cidades. Todos dizem que, por enquanto, pagam as despesas com receitas do fundo partidário e dos orçamentos das legendas.


Arquivo Folha
A menos de três meses da eleição, a falta de recursos tira o sono dos candidatos

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