A dois dias do final do prazo, Gaeco ouve nove testemunhas
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Vinícius Zanin <br> <br> Reportagem Local 
Faltando apenas dois dias para o fim do prazo para a conclusão do inquérito que investiga um suposto pagamento de propina para agentes públicos no município, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), intensificou os trabalhos e tomou o depoimento de nove pessoas ontem. Entre eles, o ex-secretário de Saúde do município Agajan Der Bedrossian, e os secretários Marco Cito (Gestão Pública) e Fábio Passos de Góes (Planejamento).
Agajan declarou, em depoimento, que nunca defendeu a contratação das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) Atlântico e Gálatas para a prestação dos serviços de saúde em Londrina.''A minha posição sempre foi pela HU Tec e pela Santa Casa. Sempre defendi essas duas instituições.''
Segundo Agajan, os ex-conselheiros, e também acusados, Marcos Ratto e Joel Tadeu Correa, é que saíram em defesa dos institutos. ''Eles (Ratto e Joel) apresentaram os institutos, sempre alegando que eles tinham conhecimento e informações a respeito. Eu não tinha conhecimento de nehum deles'', afirma.
O ex-secretário chegou a comentar sobre o episódio, de janeiro deste ano, em que três diretores da Secretaria de Saúde foram exonerados enquanto ele estaria em viagem de férias. ''Eu fiquei quatro dias fora. Quando eu voltei fiquei sabendo das demissões. Fiquei rigorosamente aborrecido. Quem demitiu foi a Ana Olympia (atual secretária de sAúde), e ela deve ter lá os motivos pelos quais ela fez isso'', alega.
Marco Cito corroborou algumas informações prestadas pelo ex-secretário de saúde, no tocante ao processo de contratação das Oscips. ''Tivemos um primeiro contato com a Santa Casa e HUTec, para que eles assumissem os contratos. Declarei que infelizmente não foi possível, em virtude dos valores e que nós tinhamos disponíveis em caixa naquele momento'', diz.
Os outros depoimentos colhidos foram os dos irmãos Flávio e Antônio Carlos Martins. Os dois foram presos na semana passada, mas ainda não tinham sido ouvidos. ''Há uns 40 dias ele (Flávio) foi submetido a uma cirurgia cardíaca e agora essa semana o problema se agravou. O envolvimento dele é que ele tem um escritorio onde é auditor das duas Oscips (Atlântico e Gálatas). Ele emitia as notas fiscais, e negou que pudessem existir notas frias, inclusive, que pode provar isso documentalmente'', afirmou o advogado Odair Busato. Já o advogado de Antônio Carlos, José Amaro, disse que seu cliente nunca trabalhou diretamente para as Oscips investigadas. ''Ele apenas presta serviços para o escritótio de contabilidade do seu irmão.''
Também prestaram depoimento os empresários Claudecir Lambert e Admilson Monarin; uma ex-secretária do Instituto Atlântico, cujo nome não foi revelado; e a ex-chefe de gabinete da secretária de saúde, Flaida Favaretto.
O coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, não revelou o conteúdo dos depoimentos, porém, disse acreditar que, apesar do prazo apertado, as investigações devem gerar conclusões satisfatórias. ''Não podemos ter certeza da conclusão integral. Mas há uma linha comum, dentro das investigações, cuja a clareza é bastante grande'', conclui.


