Agência Estado - Qual é a principal mudança entre o Lula de hoje e o da primeira campanha presidencial, em 1989?
Marisa Letícia da Silva - A mudança que aconteceu com o Lula é a mesma ocorrida com o PT: o amadurecimento. Os dois continuam com o ideal de mudar o Brasil, só que agora dizem e fazem isso de forma mais suave. Lula usa o exemplo do avô, que passa para os netos os mesmos valores que passou para os filhos. Só que, com os netos, não precisa usar de dureza.
AE - Dizem que Lula é brincalhão e bem-humorado. Por que, antes, ele aparecia na TV tão carrancudo?
Marisa - Quando o Lula, os filhos e os netos estão em casa, eu fico louca. É tanta algazarra que parece que estou só no meio de crianças. Quanto a ter sido carrancudo, acho que o momento pedia. Lula foi duro, mas nunca perdeu a ternura.
Bailarina, exilada e professora
AE - Qual deve ser a importância da mulher na campanha?
Monica - Essa pergunta, para alguns candidatos..., foi um palitinho. Até concordo que a menina lá não é aquilo. Mas enfim, creio que é um papel fundamental. Conhecer a mulher de alguém ajuda para julgar esse alguém.
AE - Qual sua expectativa como primeira-dama?
Monica - O papel da primeira-dama mudou. A Ruth Cardoso conferiu dignidade e profissionalismo ao cargo. Ela acabou com o assistencialismo e deu um caráter de ensinar a construir a cana para aprender a pescar.
AE - Como seria sua atuação?
Monica - Darei continuidade ao que tiver que ser dado. Tudo o que eu puder fazer a mais, eu farei. Tenho uma grande preocupação com a visão que se tem do Brasil lá fora e gostaria de contribuir.
Patrícia, companheira decisiva
AE - Já pensou na hipótese de se tornar primeira-dama do Brasil e como exerceria a função?
Patrícia Pillar - Ainda estamos em setembro, no meio do mês. Não é tempo de pensar em ser primeira-dama. Estou engajada na campanha.
AE - A senhora atuaria só nas ações sociais?
Patrícia - Caso o Ciro se eleja, creio que naturalmente minhas ações estarão vinculadas à área cultural.
AE - Há algum projeto específico?
Patrícia - Um deles, pôr em prática o capítulo de cultura do nosso programa de governo, que prevê a criação de centros culturais em cidades médias e pequenas e a descoberta e difusão de novos talentos.
Primeira-dama e governadora
AE - A sra. concorre ao governo do Rio. Como será em caso de vitória do casal?
Rosinha - Se a gente avaliar o que é ser primeira-dama, ela é primeira-dama porque é a mulher da pessoa que se elege. Se vai ter função de primeira-dama ou não, vai depender do estilo de vida dela, se gosta de política, se vai se dedicar ou não. Eu vou me dedicar. Tenho como governar o Estado e cumprir minhas obrigações de primeira-dama do País.
AE - Qual seria o papel de seu marido no governo, caso a senhora se eleja e ele não?
Rosinha - Se ele quiser, vai ficar organizando o partido no País, ou ocupar uma secretaria do governo. Mas acho que o Garotinho vai estar no segundo turno das eleições. A eleição presidencial ainda não está definida.

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