A conta estourou

Enquanto equipes do governo que entrou mantêm choque sobre as contas daquele que acabou de sair pinta no pedaço o alerta do Tribunal de Contas que de setembro de 2017 a agosto de 2018, mesmo com o congelamento dos salários do Executivo, gastos com pessoal chegaram a 94% do limite prudencial, que é fixado em 49% da receita corrente.

Esse cartão amarelo que é aplicado pela enésima vez pelo jeito nunca é levado a sério e torna a discussão fazendária um desperdício e anula esforços do Ratinho Junior para racionalizar as coisas com baixa de salários e aperto nas despesas. A impressão é que se encaixota fumaça.

De outro lado, apesar das versões tranquilizadoras, com a questão permanente das lesões à Lei de Responsabilidade Fiscal tão citada e não cumprida, e como a perspectiva de haver luz no debate é cada vez mais distante, o fato é que navegamos sem bússola, o que torna a algaravia outro desperdício redundante.

Diante da hibernação salarial do Executivo é surpreendente que a imaginosa burocracia consiga esse feito espetacular reprisado a cada balanço: a arrecadação cresce, menos, porém, que as despesas.

Ricardo de novo

Não espanta num voluntarista como Ricardo Barros a disposição declarada de habilitar-se à disputa da presidência da Câmara Federal, até aqui beneficiando Rodrigo Maia com acenos até do presidente da República. Há resistências e fissuras e o político paranaense se dispõe, claro, a explorá-las. O Paraná deve a ele, Ricardo, e a Beto Richa, a sobrevivência de Requião na última década. É que ele e o governador visavam a cadeira senatorial ao maringaense, enquanto o postulante do PSDB com maior chance, Gustavo Fruet, foi ignorado e assim mesmo chegou perto e se conta com um mínimo de apoio de Beto Richa ganhava a parada.

Requião e Beto Richa podem ter ido para o arquivo numa eleição em que despontavam como primeiro e segundo lugar e acabaram na série "B". Ricardo Barros é um obstinado: trafega em todos os círculos ao ponto de ter sido vice-líder de Fernando Henrique e de Lula, e por essas credenciais não pode e nem deve ser subestimado.

Monitorando

A perda de 15 posições por Londrina no ranking de cidades para fazer negócios no país em 2018 ligou o alerta das lideranças locais, mormente do Fórum Desenvolve Londrina. Entre 2015 e 2017, em função da quadra recessiva, perdeu nada menos de 7 mil postos de trabalho e essa notícia flui num momento de extrema dificuldade para a Sercomtel e com essa ameaça da perda de sediação do Instituto Agronômico do Paraná.

Londrina vive de olho nos indicadores das pesquisas por amostragem familiar do IBGE e um dos impactos sofridos foi aquele quando perdeu para Joinville a condição de terceira cidade do sul do país. Na verdade, a posição de Londrina entre cidades amigáveis para negócios atingiu o seu pico em 2016, em que aparece em 25º lugar. Vejamos por exemplo a posição da capital em sétimo lugar nos dois últimos anos. Maringá aparece em nono, o melhor desempenho de cidade interiorana do Paraná, e talvez essa circunstância esteja mexendo naqueles que olham o desenvolvimento por essa emulação entre dois polos norte paranaenses.

Londrina tem que fazer como seus reitores que saíram em defesa da cidade por causa do Iapar e confiar em suas instituições de planejamento e estudos para a necessária virada.

Tadeu Felismino

Da minha convivência com a turma de Londrina, o jornalista e mestre Tadeu Felismino é das mais gratas. Foi dele um dos primeiros diagnósticos de peso sobre as vocações da cidade quando se referiu à inteligência e nas buscas à tecnologia. Quando ainda a obsessão era em torno da industrialização saiu à frente nessa toada. Agora, num exercício necessário de rica nostalgia e recomposição de memória histórica, lança um livro sobre o "Poeira" e o movimento estudantil na cidade durante o regime militar. Isso que se passa no campo da micro-história, fragmento de um mural de ocorrências semelhantes que todos vivemos em escala nacional.

Protagonismo

Se Lula pretendeu protagonismo internacional com o ato liberatório de Cesare Battisti, como se pode ver em Bolsonaro no caso do alinhamento aos Esteites e mais na sediação da embaixada de Israel, dá para concluir que ninguém foi mais ousado que Jânio Quadros, no furor agudo da Guerra Fria, condecorar o Che Guevara.

Folclore

Paula Ney, um dos últimos boêmios cariocas, era estudante de Medicina e encarou o catedrático no anfiteatro com a pergunta de anatomia sobre quantos ossos existem na cabeça humana. Pensou, pensou, pôs a mão na cuca e respondeu: tenho tudo aqui, mas não lembro.

mockup