A coisa está pra nós?
Lembrei na coluna de sexta-feira (17) do sucesso carnavalesco de os carecas e me referi a um deles, a respeito do Fabrício Queiroz, coincidentemente calvo, em função do rolo do Coaf e que sofreu bloqueio quinta-feira (17) do ministro Luiz Fux, do STF, atendendo pleito do filho do presidente, senador eleito Flavio Bolsonaro, que contestava a legalidade das provas contra seu assessor e que, de forma oblíqua, o atingiam.
A matéria será decidida pelo ministro relator, Marco Aurélio Mello, que promete solução do caso depois do recesso em fevereiro. Como se põe na linha revisionista do ciclo punitivo da Lava Jato, pode ratificar o entendimento de Fux, que porém está longe de favorecer o governo politicamente e um senador, filho do presidente.
Como ainda estamos num regime aberto - e do Deltan Dallagnol a integrantes do MBL houve reações adversas - prevê-se que isso pode continuar rendendo e fermentando e quem sabe prejudicando algum sucesso do Bolsonaro pai em Davos.
No sucesso carnavalesco pergunta-se "pra que cabelos// pra que seu Queiroz?// se a coisa agora// está pra nós". Está? É difícil sabê-lo, ainda que o Fabrício adore aparecer em vídeo com suas dancinhas até mesmo no hospital, na euforia do craque de futebol que acaba de comemorar um gol.
Ruim tudo isso para um só personagem, o ministro Sergio Moro, criador dos parâmetros que levaram Lula, Sergio Cabral, Eduardo Cunha à cadeia e que pegaria mal se contivesse as investigações que o fluxo do Coaf comporta. Por sinal que sua presença no ministério é um dos créditos mais fortes do governo.
Menos Lava Jato
As mais recentes decisões do STF e STJ indicam a perda clara de densidade de tudo que a Lava Jato representou como mudança no país. Prisões prolongadas como as do início do ciclo - e que na verdade respondem pelo seu sucesso especialmente no caso dos megaempresários - hoje teriam resistências além das protagonizadas pelo ministro Gilmar Mendes em sua obstinada postura revisionista. Em parte, Flavio Bolsonaro tem razão quando se refere à carga do Ministério Público em cima dele e não do assessor, inclusive à cata de informes fiscais sob a guarda de sigilo legal. Esse transbordamento é que fundamenta o recurso acolhido pelo ministro Fux.
Seria uma situação melancólica para Sergio Moro se houvesse aprofundamento de desgaste da Lava Jato, que interessa à classe política como prioridade um, e com ele num governo que pelo menos aparenta, na prática, não estar disposto a levar ao radicalismo aquilo que empolgou todo povo brasileiro. Ademais, teremos a exploração do PT de que a Lava Jato era seletiva e que isso se comprova agora, o que é falso, mas opera como argumento, aquele que Moro é o perseguidor de Lula, de juiz a carcereiro.
Relato assustador
Apesar da prensa que exerce, há tantos anos, para que não haja abusos nas abordagens policiais, o Gaeco se vê impelido a responder por que aumentou tanto - e isso em 18.9% entre 2017 e 2018 - o número de mortes praticadas por policiais nos confrontos. Somam 312 com a Polícia Militar, 12 com a civil e três com a guarda municipal. Ainda recentemente houve o caso do incêndio das casas de uma ocupação na Cidade Industrial de Curitiba, em que populares atribuíram o incêndio à PM e apresentaram imagens de policiais agindo, armados, no episódio.
Evidente que o emocionalismo permeia episódios como esse atribuídos a uma retaliação pela execução de um policial militar naquela área, razão pela qual a cautela recomenda que tanto as polícias civil e militar apurem suas técnicas de abordagem e eventual confronto como o próprio Gaeco, como braço específico do Ministério Público, leve ao rigor o sentido das apurações. Curitiba, com 76 casos, lidera a estatística, seguida de Londrina, com 23, e São José dos Pinhais, com 21.
Fisco local
Tanto o governo estadual como de Curitiba tiveram retorno com programas de nota fiscal, mas em Londrina, o segundo polo urbano, o contribuinte se habilitou apenas a um ganho de R$ 33,7 mil em 2018, razão para aprimorá-lo fomentando a troca de notas por crédito no IPTU. Tanto o governo estadual como o de Curitiba fizeram campanha fortíssima publicitária em todos os meios de comunicação e uso de outdoors, inclusive nos ônibus.
Ação do Ipem
O Instituto de Pesos e Medidas, que já vinha atuando antes na capital, entrou de sola em sua fiscalização de materiais escolares nesta semana em Londrina. Fiscais examinam materiais com peso menor do que o anunciado na embalagem e procuram evitar acidentes que coloquem em risco a saúde dos adolescentes que os manipulam.
Folclore
Alunos do Ginásio Paranaense, hoje Colégio Estadual, fizeram campanha contra o professor Zavadski, de Latim, por causa das notas baixas e picharam os muros adjacentes com palavras de ordem contra o Zé Vaca, apelido do mestre. O diretor Ribeiro, que se temia até ao simples enunciar do nome, foi a todas as salas e alertou que se as paredes e muros não fossem limpos em dois dias determinaria a suspensão sumária por um mês de todo o terceiro ano do colégio.

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