A campanha eleitoral não declarada de Lula
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sábado, 20 de maio de 2006
Tânia Monteiroe Sérgio Gobetti<br> Agência Estado 
Brasília - Em sua campanha não declarada pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viajado como nunca. Desde a virada do ano, ele já percorreu, apenas em deslocamentos dentro do País, 39.385 milhas, o que corresponde a pouco mais de uma volta e meia ao redor do mundo.
Foram 37.554 milhas a bordo do Aerolula e mais 1.832 milhas no helicóptero Super Puma que serve à Presidência. O custo, só em combustível gasto pelas aeronaves, é estimado em R$ 3,15 milhões. Mais de 60 equipes de 30 pessoas cada tiveram de ser formadas para dar suporte para as viagens de Lula pelo País, ao longo desses quatro meses e meio.
Isso custou em diárias pelo menos R$ 850 mil, totalizando um gasto de R$ 4 milhões com essas viagens. Os roteiros do presidente Lula seguem um ritual. Desde o início do ano, ele tem optado por visitar, no mesmo dia, duas ou três cidades na mesma região. Raramente dorme nos municípios a que vai.
O processo começa com a escolha do local a ser visitado. Normalmente três ou quatro dias antes, um escalão avançado cujo apelido é ''escav'' segue para a cidade. São no mínimo 30 pessoas, em média 35 pessoas, mas o staff pode chegar a 40, por cidade.
Primeiro, a equipe presidencial se hospeda na cidade onde vai ocorrer a cerimônia ou na mais próxima dela, que ofereça infra-estrutura mínima para preparar os eventos. Os funcionários do Planalto seguem de Brasília em geral no Boeing 737 conhecido como Sucatinha.
Além de pelo menos 20 seguranças, compõem o ''escav'' representantes do cerimonial do Palácio do Planalto. No dia da viagem do presidente, um número semelhante de pessoas o acompanha ao local acertado.
A presença de funcionários da Secretaria-Geral é uma novidade deste governo. Oficialmente, a função deles é fazer contatos com a entidades representativas locais para ouvir as demandas que merecem ser levadas ao presidente.
O objetivo real, porém, é verificar se haverá manifestações contra o presidente e tentar contornar a situação, conversando com esses grupos ou até organizando uma pequena comissão para ter um rápido encontro com Lula. Normalmente, a estratégia dá certo.


