Nestes primeiros cem dias da administração, 976 servidores municipais de Londrina - cerca de 10% do quadro funcional, hoje em 9 mil efetivos - obtiveram licenças médicas que os afastaram do trabalho, em média, de quatro a até 15 dias. O número foi confirmado pelo secretário municipal de Gestão Pública, Rogério Carlos Dias, com base nas perícias realizadas pela Diretoria de Gestão de Saúde Ocupacional (DGSO) da prefeitura.
O número de afastamentos no período, no entanto, pode ser ainda maior, porque o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) em vigor no município permite licenças médicas de até três dias sem a necessidade de passar pela DGSO, sendo apresentados apenas para o chefe imediato. O secretário descartou mudanças na regra, ''porque já temos uma enorme demanda na Saúde Ocupacional, então, se os atestados de um ou dois dias tiveram que ir pra lá, vai ficar complicado''.
Embora sem precisar o número, Dias confirmou que grande parte dos atestados é apresentada por funcionários que atuam nas áreas de saúde e educação. ''Temos que considerar que temos só na educação, por exemplo, 2,7 mil servidores, então é natural que tenhamos um volume maior de licenças.''
Ele citou um exemplo de incapacidade física para a função de professor que acaba levando a aposentadoria. ''Eu assinei ontem a aposentadoria de um professor que não conseguia mais escrever no quadro, devido a tendinite.'' No caso da Secretaria de Educação, informou Dias, existe uma regra específica que acaba impedindo o encaminhamento do servidor para outra função, onde possa trabalhar sem prejuízos à saúde. ''Em alguns casos eu posso fazer o reenquadramento e o profissional poderá desempenhar o seu trabalho em outro setor, mas na Educação ele só pode atuar em atividades ligadas à área.''
O secretário, que é servidor aposentado da Polícia Federal (PF), reconhece que quase mil licenças médicas no período é um número alto, mas afirmou que está dentro da média do serviço público na União e nos Estados. Por outro lado, ''não podemos negar que a ausência do servidor prejudica o atendimento final e por isso a prefeitura está também tentando a contratação de pessoal''.
Rogério Dias afirmou que pouco mais de 40 servidores estão em licenças médicas que já duram mais de um mês. ''O prazo máximo para o servidor ficar afastado é de dois anos e, a partir disso, tem que voltar ao trabalho ou se aposentar.'' Há hoje um caso de quatro anos que será analisado pela Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml).
Entre os afastados está o ex-secretário de Gestão Pública Fábio Reali. Sem trabalhar desde o ano passado por decisão judicial, suspeito de envolvimento em irregularidades, Reali segue recebendo salário. ''Vamos pedir à Justiça que avalie o caso dele para que volte a trabalhar, porque entendemos que a investigação que motivou o afastamento já passou.''

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