César Augusto/Folha de LondrinaPeso extraJosé Carlos da Cruz, presidente da Amunop: ‘‘A União jogou tudo nas costas dos municípios’’Com o protesto iniciado ontem em 49 municípios da região Norte passa para 78 o número de prefeituras no Estado que fecharam as portas. Isso corresponde a 19,54% das prefeituras do Paraná, de um total de 399. Elas só estão prestando os serviços essenciais. A paralisação é contra a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que retira em média 12,% do Fundo de Participação dos Municípios. Na Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), a mobilização atinge 21 prefeituras e na Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), 28.
O movimento contra o FEF foi iniciado semana passada pela Amunpar (Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense), quando 29 prefeituras decidiram só atender o essencial, como saúde, coleta de lixo e limpeza pública. No caso do Noroeste, a campanha não reclama apenas da aprovação em primeiro turno da prorrogação do FEF, mas também da não liberação de recursos estaduais de convênios assinados.
Outro motivo de queixa foi a não inclusão da BR-376 no programa de recuperação das rodovias federais, mas nota do DNER em resposta a um ofício do deputado estadual Walmor Trentini (PDT) mostra que a rodovia faz parte do programa. Os prefeitos da Amunpar devem se reunir amanhã em Curitiba com o governador Jaime Lerner (PDT), no Palácio Iguaçu, para cobrar a liberação de verbas.
Ontem, o presidente da Amunop e prefeito de Assaí, José Carlos da Cruz (PDT), precisou fazer um empréstimo de R$ 250 mil para cobrir o déficit do primeiro semestre de sua administração. ‘‘Só com a municipalização da educação, o nosso déficit foi de 105 mil reais’’, diz o prefeito. Segundo ele, na saúde e na ação social o déficit é ainda maior: a prefeitura recebe R$ 42 mil por mês, em média, enquanto os gastos chegam a R$ 90 mil.
Cruz foi prefeito do município de 1989 a 1992 e disse ter deixado 73 funcionários no setor de educação. ‘‘Agora são 246. E não é porque inchou, não. É porque municipalizou e o ex-prefeito precisou contratar. A União está jogando tudo nas costas do município, que é o pára-choque da população’’.
A região da Amunop reúne cerca de 300 mil habitantes e tem como cidade-pólo o município de Cornélio Procópio. O prefeito José Antônio Ottoni da Fonseca (PMDB) lembra que a crise financeira impossibilitou as prefeituras de fazerem qualquer investimento. ‘‘Estamos sendo obrigados a limitar nossas ações na manutenção dos serviços essenciais’’, reclama. Ele diz que as dificuldades obrigam o município a frear o desenvolvimento. ‘‘Nada de obras de pavimentação, rede de esgoto, iluminação. E quem sofre é a população’’.
Nas regiões Norte e Noroeste, as prefeituras só voltam a funcionar normalmente no dia 27. No Norte Pioneiro a mobilização termina quinta-feira. ‘‘Esperamos que ela consiga atingir o objetivo, que é sensibilizar nossos deputados para que revejam a posição no segundo turno da votação do FEF e não penalizem os municípios’’, espera o vice-presidente da Amunorpi e prefeito de Ibaiti, Roque Fadel (PTB).

mockup