A maioria dos londrinenses é terminantemente contrária à venda da Sercomtel - seja para empresa pública ou privada - e ao aumento de vereadores de 18 para 21 nomes. Esses e outros 38 temas constam de uma pesquisa encomendada pelo Legislativo municipal, divulgada ontem, realizada pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Estudos Socioeconômicos Ltda (Ipese). O levantamento foi feito com 720 pessoas entrevistadas nos últimos dias 15, 16 e 17 de agosto nas zonas urbana e rural de Londrina, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa relacionou ainda temas que têm rendido debate ao longo da atual legislatura, tais como a possibilidade de criação de uma Guarda Municipal e o projeto que institui o fechamento de bares após as 23 horas (veja infográfico). A qualidade dos serviços prestados pelo poder público municipal também foi um dos tópicos - sugeridos pelos próprios vereadores.
O presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB), defendeu que a contratação do instituto - feita por licitação, e ao custo de aproximadamente R$ 7 mil aos cofres públicos - deverá embasar análises ''mais científicas'' dos vereadores, na elaboração de projetos de lei. Conforme Souza, cópia do levantamento será encaminhado também ao Executivo municipal. Na coletiva de apresentação dos números, o petebista fez questão de salientar que a contratação do serviço ''foi aceita pelo Tribunal de Contas do Paraná''. Se a iniciativa poderá ser usada com fins eleitorais a pré-candidatos? ''Espero que usem. Tem muita gente falando que vai mudar a cidade, mas sem nenhuma proposta'', respondeu. E nos dois poderes? ''O vereador tem o direito de usar a pesquisa para respaldar a própria opinião. Já o uso dela pelo prefeito ficará a critério pessoal dele'', disse.
De acordo com o estudo, a saúde municipal vive situação aparentemente paradoxal perante o cidadão: se por um lado o principal alvo de queixas (''pior atendimento'' para 38,5%), por outro, é de elogios (''melhor atendimento'', a 29,4%). ''O aumento de consultas ocasiona falta de medicamentos'', analisou Souza.
Já o aumento de três cadeiras na Câmara londrinense - sujeito à aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), no Congresso -, o índice de rejeição foi o maior de todo o levantamento: 92,1%. Na avaliação de Souza, a explicação está mais em Brasília que em Londrina. ''A população generalizou essa imagem ruim que tem sobre o Senado. A maioria sequer sabe o que um político faz'', acredita.
Foi alto também o índice de entrevistados favoráveis à criação da Guarda Municipal: 86%. Já a respeito de concordar ou não com a venda da Sercomtel a empresa pública - a Prefeitura defende que seja para a Copel - ou privada, novamente a maioria dos entrevistados, 72,2%, respondeu que não. Para o presidente da Câmara, contudo, a alta rejeição da ''análise superficial'' pode ser remediada com exposição de dados. ''As pessoas falam da empresa com paixão, mas sem saber o real estado da Sercomtel. A análise tem que ser pela razão'', sinalizou Souza.
Contrária à contratação da pesquisa, a vereadora Sandra Graça (PP) questionou a argumentação de Souza. ''A melhor pesquisa é conversar com os vários setores sociais. Além do que, a maioria do plenário já tem uma posição pré-concebida pela venda da Sercomtel, não vejo que a pesquisa vai mudar isso'', opinou.

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