Curitiba - Cerca de 280 prefeituras do Estado devem fechar as portas hoje, segundo estimativa da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). A medida é uma forma de protesto contra a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) pelo Governo Federal. A tendência na maioria das cidades, de acordo com a AMP, é que sejam mantidos somente os serviços essenciais como atendimento à saúde e educação.
  Apesar da estimativa do alto índice de adesão à manifestação, as maiores prefeituras do Estado vão funcionar normalmente. Em Londrina, o prefeito interino José Roque Neto (PTB) afirmou que será solidário à manifestação, mas manterá as portas da Prefeitura abertas. O prefeito decidiu utilizar uma faixa negra e pedir aos funcionários que ajam da mesma forma. Em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa, de acordo com as assessorias de imprensa, nenhuma atividade de protesto foi prevista.
  A Prefeitura de Foz do Iguaçu também decidiu manter o atendimento normal. Segundo a assessoria de imprensa, a cidade tomou a decisão em conjunto com os municípios de Toledo e Cascavel. A mesma posição foi adotada por São José dos Pinhais.
  Colombo, uma das cidades mais afetadas pela queda no repasse, também decidiu não aderir ao movimento. A Prefeitura justificou que estaria em um momento de negociação de débitos e recebimento de tributos que poderiam ser prejudicados pela paralisação.
  Segundo o presidente da AMP e prefeito de Castro, Moacyr Fadel (PMDB), a participação das grandes cidades deve ser menor porque elas possuem uma arrecadação mais diluída e não sentiriam tanto a queda nos repasses.
  Ele defende a paralisação como forma de protesto e diz que a intenção é mostrar ao governo federal que a situação é extremamente grave. ‘‘Há prefeituras que já não conseguem pagar seus funcionários’’, informou. Fadel lamenta que a redução de impostos feita pelo governo federal para estimular a economia tenha recaído apenas sobre os municípios. ‘‘Eles não reduziram PIS, Cofins, impostos que são a base da arrecadação do governo federal. Se a crise é para uns, que seja para todos’’, questionou.
  Segundo o prefeito, a AMP entregará hoje uma carta de reivindicações à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. ‘‘Vamos pedir uma compensação dessa redução de 20% no repassse nos meses de junho, julho e agosto, que é o período mais crítico para as prefeituras’’, afirmou. Segundo ele, a tendência é de uma queda ainda maior nos próximos meses.
  Para o prefeito de Piraquara e um dos articuladores do protesto, Gabriel Samaha (PPS), a pré-movimentação das prefeituras já deu resultados. Ele afirma que o governo federal já teria anunciado uma revisão nos cortes do FPM com base na movimentação no Paraná.
  De acordo com o prefeito de Sabáudia e presidente da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), Almir Batista dos Santos, também será convocada uma reunião com a bancada paranaense na Câmara dos Deputados e Senado. ‘‘Vamos pedir o apoio para que a pauta dos municípios chegue ao presidente Lula’’, disse. Nos cálculos da Amepar, a perda nos repasses do FPM acumulada no primeiro trimestre deste ano já chega a 11,5%. ‘‘É quase o total que temos que investir em Saúde. Os prefeitos vão ter que cortar gastos’’, salientou Santos. (Colaborou Cristiane Oya)

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