60 mil acompanham enterro de Luís Eduardo
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Agência Folha 
Agência Estado
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Lágrimas e desesperoInocêncio de Oliveira tenta o impossível: consolar Antonio Carlos Magalhães pela morte do filho Luís EduardoCerca de 60 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, acompanharam ontem, em Salvador, o traslado, o velório e o enterro do corpo do deputado Luís Eduardo Magalhães, 43, morto anteontem de parada cardíaca. De acordo com autoridades locais, foi uma manifestação popular comparável ao enterro de Mãe Menininha do Gantóis, líder religiosa que morreu em 1986.
O corpo do deputado chegou a Salvador, vindo de Brasília, em avião da Força Aérea Brasileira, às 13h05, e foi recebido com honras de chefe de Estado. Foi executado o Hino da Independência. O caixão, coberto com as bandeiras do Brasil e da Bahia, foi conduzido por homens da guarda fúnebre da Polícia Militar e transportado sobre um carro de bombeiros até a Assembléia Legislativa, onde o corpo foi velado.
O cortejo foi acompanhado nas ruas por grupos de pessoas que exibiram faixas e cartazes de apoio à família Magalhães durante todo o trajeto, de oito quilômetros, entre a Base Aérea e a Assembléia. O comércio fechou às 16h, e os ônibus circularam de graça para que as pessoas pudessem homenagear o deputado.
O corpo de Luís Eduardo Magalhães chegou à Assembléia às 14h05 e foi velado no hall de honra da Casa. Policiais militares cercaram a praça da Assembléia, impedindo a aproximação das cerca de 30 mil pessoas que, durante toda a tarde, compareceram ao local. Houve tumulto por volta das 16h, quando muitos dos que esperavam para ver o corpo de perto tentaram invadir o local restrito, até então, à família e a convidados. Cerca de 3.000 homens da PM isolavam a área. A missa, transmitida por meio de um sistema de som instalado na praça, foi celebrada pelo monsenhor Gaspar Sadoc, com a participação do padre Luís Simões, 43, colega do deputado na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Estiveram presentes no velório políticos de diferentes tendências. Os governadores Miguel Arraes (PSB), Tasso Jereissati e Mário Covas (ambos do PSDB), além do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) cumprimentaram pessoalmente o senador Antonio Carlos Magalhães, pai de Luís Eduardo. Também estiveram presentes empresários, como Antonio Ermírio de Moraes.
A saída dos convidados provocou novo princípio de tumulto no local. Os policiais foram obrigados a formar um corredor humano para permitir a passagem. Do lado de fora da praça, pessoas batiam palmas, exibiam fotos do deputado e cantavam hinos religiosos. O acesso público ao velório só foi autorizado às 16h50.
No fim da tarde, o presidente FHC chegou ao local com a primeira-dama, Ruth Cardoso, e caminhou ao lado de Antonio Carlos Magalhães, até se aproximar do caixão. Cerca de 15 minutos depois, o corpo do deputado foi retirado da Assembléia e transportado ao carro de bombeiros. Durante o percurso até o cemitério Campo Santo, o cortejo foi acompanhado por admiradores, que se posicionaram em barrancos e nas passarelas, sobre as avenidas. O corpo do deputado foi enterrado às 19h20, na presença de Antonio Carlos Magalhães e sua mulher, Arlete.


