6ª-feira sangrenta no Oriente Médio
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Sakher Abou El-Oun e Calin Neacsu<br>France Presse 
GazaA violência israelense-palestina tomou forma de guerra ontem, com a morte de pelo menos 46 pessoas nos territórios palestinos, onde as operações israelenses continuavam, apesar do anúncio da volta do emissário norte-americano Anthony Zinni à região.
O terrível balanço de mortos não parou de crescer rapidamente desde as primeiras horas de ontem e alcançou, na metade do dia, 41 palestinos, a maior parte vítimas das operações realizadas pelo Exército israelense. Cinco israelenses também morreram num atentado palestino na colônia de Atsmona (Sul da Faixa de Gaza).
Com isto, o número de mortos no conflito israelense-palestino desde a invasão há uma semana por forças israelenses de dois acampamentos de refugiados na Cisjordânia se elevou a 154 (117 palestinos e 37 israelenses).
O Exército israelense realizou uma importante operação militar ontem de manhã no setor de Jan Yunes, no Sul da Faixa de Gaza. Entre as vítimas desta operação está o general Ahmad Mufrij, comandante da segurança pública palestina para o Sul da Faixa de Gaza. Mufrij é a mais alta autoridade das forças de segurança palestinas assassinada desde o início da Intifada, em setembro de 2000.
O chefe da segurança pública para a Faixa de Gaza, general Abdelrazak Al Majaida, presente em Jan Yunes durante os ataques israelenses, declarou à AFP que as operações de Israel eram uma tentativa de assassinato contra sua pessoa. O general Al Majaida, que foi a Jan Yunes para assistir o enterro de Mufrij, acabava de sair da sede da segurança palestinas neste local, quando helicópteros atacaram o edifício.
No Norte da Cisjordânia, o Exército continua ocupando totalmente, desde a madrugada de quinta-feira, a cidade autônoma de Tulkarem e o acampamento vizinho de mesmo nome, onde seis palestinos morreram, entre eles, uma criança de 10 anos.
As forças israelenses, em compensação, saíram do acampamento vizinho de Nur Shams, depois de prender dezenas de palestinos suspeitos de envolvimento em atividades terroristas. Centenas de palestinos armados se encontravam cercados pelo Exército israelense no acampamento de Tulkarem (12.000 habitantes), segundo a rádio pública israelense. O Exército de Israel também atuou nos acampamento de refugiados de Aida e Dheishe, no setor de Belém, onde morreram três palestinos. As forças israelenses ocuparam amplos setores nas cidades de Belém e Beit Jala, uma localidade vizinha, assim como em algumas colinas estratégicas na região, afirmou o Exército. Nos setores que controlam, os militares realizam batidas casa a casa para procurar terroristas, armas e esquemas terroristas, segundo o Exército.


