58 'infiéis' cassados saem derrotados das urnas
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sábado, 25 de outubro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dos 101 candidatos ao pleito do último dia 5 que haviam sido cassados por infidelidade partidária no Paraná, 58 não conseguiram um novo mandato eletivo. O levantamento, feito pela Reportagem, levou em conta a relação de 176 políticos que perderam o mandato por infidelidade partidária, por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desde o início do ano até o final de agosto, quando a análise de processos relativos à troca de legenda foram temporariamente suspensos. Os 176 políticos cassados exerciam o cargo de vereador e quase a totalidade tentava a reeleição. Do total, 101 resolveram novamente se candidatar a um cargo eletivo, mas a minoria saiu vitoriosa das urnas: 43.
O resultado do pleito, entretanto, ao contrário do que inicialmente pode aparentar, não estaria relacionado ao fato dos candidatos terem trocado de legenda. A análise é da cientista política Luciana Veiga, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo ela, a mudança de partido político não chega a ser levada em conta pelo eleitor que, tradicionalmente, vota no político e não na legenda partidária.
Para reforçar sua tese, a cientista política destaca que, apesar de 58 candidatos ''infiéis'' terem saído derrotados das urnas, outros 43 foram vitoriosos no pleito. Apesar de não terem sido eleitos, 53 candidatos conseguiram votos suficientes para ficar como suplentes de vereadores. Apenas cinco não teriam qualquer possibilidade de eventualmente assumirem uma cadeira.
Mas, segundo ela, para se ter certeza sobre a análise, seria necessário comparar os números com a média das taxas de renovação obtidas nas câmaras de vereadores em todo o Estado. ''Se a gente levar em conta que de 40% a 60% geralmente conseguem se eleger, então o fato de 43 (cerca de 42% dos 101 candidatos) terem sido eleitos, não chega a ilustrar uma punição do eleitor contra aquele que trocou de legenda'', explica ela. ''Não acredito que houve punição. Somente cerca de 30% dos eleitores prestam atenção no partido do candidato, valorizam a legenda''. E por quê? Segundo Luciana, ''porque os próprios políticos não valorizam os partidos''.
Para o vereador José Nicácio Strapasson (PCdoB), de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), a cassação do seu mandato pelo TRE, depois recuperado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi responsável em parte pela sua derrota nas urnas. ''Fiquei quase um mês atrás de advogado, correndo com a parte burocrática.'' Mas o tempo reduzido para fazer campanha não teria sido o único motivo da derrota, na avaliação do vereador. Seu reduto eleitoral, a área rural de Colombo, ''contou com muitos candidatos, uns 15''.
Strapasson trocou o PTN pelo PCdoB. A mudança de partido, segundo ele, ocorreu depois que a cúpula da sua ex-legenda resolveu ''mudar de posição política''. Apesar de não acreditar na ligação entre o fato de ter trocado de partido e o resultado das urnas, Strapasson admite que a cassação do seu mandato teve uma repercussão negativa. ''Quando se fala em cassação as pessoas pensam em corrupção. Ninguém esclarece que a cassação é consequência da troca de partido''.
As cassações dos mandatos eletivos foram feitas com base na resolução 22.610/2007, do TSE. O texto foi proposto pelo TSE com o objetivo de disciplinar o processo de perda de cargo eletivo, depois que o próprio tribunal e o Supremo Tribunal Federal entenderam que o mandato pertence ao partido e não ao político. Pela resolução, os políticos que trocaram de legenda após o novo entendimento do TSE, sem justa causa, poderiam perder o mandato.


