58% das leis sancionadas em 2013 são 'irrelevantes'
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
Paula Barbosa Ocanha<br> Reportagem Local 
Das 72 leis sancionadas ou promulgadas desde o início do ano em Londrina 68 sancionadas pelo prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e quatro promulgadas pelo presidente da Câmara de Vereadores, Rony Alves (PTB) , 58% são consideradas "irrelevantes" ou de baixo impacto social. O levantamento foi feito pela FOLHA com base nas leis publicadas no Jornal Oficial do Município entre 2 de janeiro de 2013 até a última quinta-feira. Foram excluídas do levantamento leis de 2012 que acabaram sendo publicadas neste ano.
No grupo de 42 leis "irrelevantes", 16 são referentes a concessão de títulos honorários e honrarias a instituições, 14 são nomeação de ruas, prédios e equipamentos públicos, nove são de pedidos de declaração de utilidade pública a entidades e 3 são de inclusão de datas ou semanas comemorativas no calendário do município.
Considerando todas as leis, 26 são de autoria do Executivo e as demais (46) foram propostas pelos vereadores. Três leis que pediam declaração de utilidade pública, de autoria de vereadores, e a lei de mudança de zoneamento de uma área na zona sul da cidade, que ficou conhecida como a "Lei do Angeloni", foram promulgadas pelo presidente da Câmara, na ausência de uma manifestação do Executivo sobre os assuntos.
Os números não causam surpresa, segundo avaliação do professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci. "Essa cultura de propor honrarias e outros projetos irrelevantes foi incorporada à Câmara porque dá projeção ao vereador. Ele acha que assim está mostrando trabalho. Sem contar que, dependendo da pessoa homenageada, ele acaba aparecendo em colunas sociais, sempre há uma cerimônia. É uma agenda positiva criada para o vereador aparecer", pontuou o professor.
Segundo ele, o "tempo perdido" com a aprovação desse tipo de projeto deveria ser usado para as grandes questões da cidade, como discussão da mobilidade urbana, que está sendo adiada há anos, ou mesmo a discussão aprofundada dos projetos do Plano Diretor. "Infelizmente, todo final de ano ou de semestre esse número deve se repetir. São muitos projetos de honraria, nomes de ruas e datas comemorativas. Nós elegemos vereadores que deveriam se preocupar não com números de projetos, e sim com a qualidade do que é discutido. Não é isso que vemos."
Das leis "relevantes" sancionadas desde o início do ano, a maioria é originária do Executivo. Na Educação foram sancionadas leis para criação de três Centros Municipais de Educação Infantil e construção de uma escola municipal. Para os servidores municipais, houve sanção de cinco projetos de alteração ou criação de Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Além disso, houve a sanção do "Agiliza Obras", que estabelece processo simplificado de licenciamento de projetos arquitetônicos.
"Não são muitos projetos, mas é o esperado para início de mandato. O prefeito Alexandre Kireeff tinha essa proposta de chegar e arrumar a casa, e só enviar para a Câmara projetos realmente importantes. Ele também precisa saber como tudo está funcionando antes de começar a fazer matérias. No segundo semestre provavelmente o número de projetos e sanções aumente", acredita Cenci.


